ELEIÇÕES 2026

Crescimento de Renan Santos expõe força das redes na nova dinâmica política

Presença digital coloca dirigente do MBL à frente de nomes tradicionais em visibilidade

Crescimento de Renan Santos expõe força das redes na nova dinâmica política
Foto: Luiz Rebelato/MBL
Publicado em 27/03/2026 às 17:19

O crescimento de Renan Santos no cenário político nacional tem sido evidente para quem acompanha de perto o ambiente digital. Há meses, sua presença nas redes sociais supera a de nomes considerados mais relevantes dentro da estrutura tradicional da política brasileira.

Mesmo após duas eleições presidenciais profundamente marcadas pelo impacto das redes, parte significativa das lideranças ainda analisa o cenário com base em uma lógica analógica, centrada em cargos, partidos, alianças e espaço na mídia tradicional. No entanto, o atual contexto impõe uma nova dinâmica: antes de disputar votos, é necessário disputar atenção — e, nas redes, a atenção precisa ser constantemente conquistada.

Nesse ambiente altamente competitivo, que envolve entretenimento, influenciadores, memes e pautas virais, Renan Santos tem se destacado. Dados da AP Exata Inteligência de Dados apontam que, na última semana, o dirigente registrou média de 11,19% no índice de menções entre lideranças com potencial eleitoral. Ficou atrás apenas de Flávio Bolsonaro, com 20,09%, e de Luiz Inácio Lula da Silva, com 19,90%.

O desempenho não é episódico. Trata-se de uma presença recorrente, superior à de nomes como Romeu Zema, Ronaldo Caiado, Ratinho Junior e Eduardo Leite. No caso de Ratinho Junior, por exemplo, o anúncio de sua saída da disputa presidencial gerou aumento momentâneo de atenção — de 2% para 4% — mas sem sustentação fora do ciclo de notícias.

A estratégia de Renan segue outra lógica. Sua visibilidade cresce especialmente quando se insere no fluxo das redes e ativa o conflito, elemento central para engajamento digital. Episódios como críticas a Flávio Bolsonaro e declarações polêmicas ampliaram significativamente seu alcance, colocando-o no centro de debates intensos dentro da direita.

Mais do que confronto, há também uma construção de posicionamento. Renan articula uma leitura que combina liberalismo econômico com um conservadorismo mais rígido, buscando ocupar um espaço antissistema com maior nitidez. Enquanto parte da direita tenta moderar o discurso para ampliar alcance, ele aposta na radicalização narrativa como estratégia de diferenciação.

Esse movimento dialoga diretamente com uma parcela do eleitorado antiesquerda que já não se sente plenamente representada pelo bolsonarismo. Ao propor uma espécie de reconstrução política, ainda que considerada por muitos como utópica, o discurso encontra ressonância em um ambiente digital movido por indignação, identidade e senso de missão.

Essa lógica não é nova para o Movimento Brasil Livre, grupo do qual Renan faz parte. Desde sua origem, o movimento estruturou sua atuação entendendo as redes sociais não apenas como canal de comunicação, mas como uma verdadeira infraestrutura de poder. Com produção contínua de conteúdo, linguagem adaptada às plataformas e uma base mobilizada, o MBL consolidou um modelo que muitos atores políticos ainda não conseguiram replicar.

Renan Santos surge como síntese dessa estratégia. Sem depender de cargos executivos ou da visibilidade institucional, ele construiu presença consistente em podcasts, canais digitais e redes sociais, com uma audiência ativa e engajada. Isso garante frequência, repetição e uma linguagem acessível — fatores decisivos na política digital contemporânea.

Esse avanço coloca outros nomes da direita em uma posição delicada. A tentativa de replicar esse modelo pode soar artificial, enquanto críticas vindas de um campo mais moderado podem reforçar a imagem de Renan como representante de uma ruptura mais autêntica.

Diante desse cenário, os resultados de pesquisas recentes não configuram surpresa, mas sim a materialização de um movimento que já vinha sendo desenhado no ambiente digital. Ainda que enfrente limitações fora das redes, Renan Santos entra na disputa com uma vantagem estratégica: a compreensão de que, na política atual, visibilidade e engajamento são pré-condições para qualquer viabilidade eleitoral.