INVESTIGAÇÃO
CPI revela suposto esquema de superfaturamento em contratos de limpeza pública
Relatório indica manipulação de medições e irregularidades que teriam desviado milhões de reais do orçamento municipal

Uma investigação conduzida pela Câmara de Vereadores de um município do Vale do Itajaí revelou um possível prejuízo de cerca de R$ 20 milhões aos cofres públicos. O valor foi apontado no relatório final de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada para apurar irregularidades em contratos de limpeza urbana firmados pela gestão anterior.
De acordo com o relatório, o esquema envolveria servidores públicos e empresas contratadas, com manipulação de medições e superfaturamento de serviços de roçagem e conservação de áreas públicas. A prática, segundo os parlamentares, ocorria de forma sistemática e organizada, dividida em três núcleos principais:
- Operacional, formado por fiscais e representantes das empresas;
- Administrativo, composto por diretores e secretários responsáveis pela validação dos contratos;
- Político-hierárquico, reunindo gestores que teriam permitido a continuidade das irregularidades, mesmo diante de alertas internos.
Durante meses de investigação, a CPI ouviu 22 testemunhas, analisou documentos, mensagens e perícias técnicas, e constatou que as medições dos serviços eram alteradas para justificar pagamentos acima do real. O relatório ainda ressalta que o esquema não se tratava de um caso isolado, mas de uma prática recorrente ao longo dos anos.
Os contratos investigados estão relacionados aos serviços de roçagem e limpeza de áreas públicas, abrangendo três processos principais, entre os anos de 2015 e 2024. O trabalho contou com o apoio da Polícia Civil e do Ministério Público, que agora irão analisar o relatório para determinar as medidas cíveis, criminais e administrativas cabíveis.
A CPI foi instaurada após uma sindicância interna identificar possíveis inconsistências na execução dos contratos. Com base nas evidências, o Legislativo decidiu aprofundar a apuração e encaminhar as conclusões aos órgãos de controle competentes, como o Ministério Público, a Polícia Civil e o Tribunal de Contas do Estado.
A administração municipal informou que não vai se manifestar sobre o caso até a conclusão das investigações.



