POLÍTICA
CPI rejeita relatório que pedia indiciamento de ministros do STF; Amin vota a favor
Documento foi recusado por 6 votos a 4 e encerra comissão sem relatório final

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado rejeitou, nesta terça-feira (14), o relatório final apresentado pelo senador Alessandro Vieira. O documento, que previa o indiciamento de ministros do Supremo Tribunal Federal e do procurador-geral da República, foi derrubado por 6 votos a 4, encerrando os trabalhos da comissão sem a aprovação de um relatório final.
Entre os parlamentares que votaram favoravelmente ao texto está o senador Esperidião Amin. Durante a sessão, o catarinense defendeu a abrangência do relatório e a necessidade de incluir todos os elementos levantados ao longo das investigações conduzidas pela CPI.
O relatório propunha o indiciamento dos ministros Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet, por supostos crimes de responsabilidade. Segundo o relator, haveria indícios suficientes para encaminhamento dos casos ao Senado, responsável por esse tipo de julgamento.
Durante a discussão, Amin também manifestou preocupação com a condução do Inquérito nº 4.781, destacando a importância de analisar todos os pontos levantados pela comissão. Ao justificar seu voto, afirmou não ter identificado contestação consistente ao conteúdo do relatório.
Por outro lado, senadores contrários ao documento criticaram o foco dos indiciamentos. Para esses parlamentares, houve ausência de responsabilização de integrantes de organizações criminosas, além de questionamentos sobre a inclusão de autoridades do Judiciário e do Ministério Público sem comprovação de dolo.
O presidente da comissão, Fabiano Contarato, afirmou que não havia elementos suficientes para sustentar os indiciamentos e ressaltou a gravidade de decisões dessa natureza. Já o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, declarou concordar com parte das propostas legislativas do relatório, mas rejeitou o conteúdo relacionado aos indiciamentos.
Instalada em novembro de 2025, a CPI teve como objetivo investigar a atuação do crime organizado no país, abordando temas como lavagem de dinheiro, infiltração no poder público e atuação de facções criminosas. Ao longo de cinco meses, foram realizadas 18 reuniões e colhidos 19 depoimentos.
Com a rejeição do relatório, a comissão encerra oficialmente seus trabalhos sem a consolidação de um documento final.



