TARIFAÇO
Como o tarifaço de Trump e o cerco judicial a Bolsonaro agitam a direita catarinense de olho em 2026
Medidas dos EUA e decisões do STF reacendem disputas internas no bolsonarismo de SC e antecipam clima eleitoral no estado com maior apoio a Bolsonaro no país

O cenário político de Santa Catarina, tradicional bastião bolsonarista, já começa a ser moldado pelos desdobramentos de dois fatos recentes e impactantes: o tarifaço de Donald Trump sobre produtos brasileiros e as medidas judiciais impostas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, como o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de uso das redes sociais.
A ofensiva comercial anunciada por Trump — que pretende elevar em 50% a tarifa sobre determinadas importações do Brasil — gerou alarme entre empresários do Sul, especialmente do agronegócio e da indústria. Ao mesmo tempo, o embate jurídico enfrentado por Bolsonaro voltou a inflamar a militância da direita em SC e mexeu com o tabuleiro da eleição estadual de 2026.
Nesta semana, a defesa do ex-presidente precisou responder ao Supremo Tribunal Federal (STF) por um suposto descumprimento de medidas cautelares após discurso no Congresso. O ministro Alexandre de Moraes considerou o episódio como “irregularidade isolada”, mas alertou que novas infrações poderão levar à prisão preventiva.
Reflexos em SC: divisão e movimentações no bolsonarismo
Esses episódios chegaram em um momento delicado para o campo bolsonarista catarinense, que já se dividia entre dois nomes fortes: o atual governador Jorginho Mello (PL) e o prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD). Ambos são aliados próximos de Bolsonaro e se movimentam nos bastidores como pré-candidatos ao governo do estado em 2026.
A resposta de Jorginho Mello à decisão do STF foi imediata. Em uma publicação nas redes sociais no mesmo dia do anúncio das restrições, postou uma foto ao lado de Bolsonaro e afirmou que o ex-presidente era alvo de “violência” jurídica. Classificou o ex-mandatário como “honesto” e defendeu a necessidade de “baixar a fervura” no debate político. Em entrevistas recentes, Jorginho também elevou o tom contra o governo federal, elogiando os resultados econômicos de Santa Catarina em contraste com os indicadores nacionais.
Já João Rodrigues, que desde sua reeleição em Chapecó vem se apresentando como nome viável ao governo estadual, mantém o discurso alinhado com o bolsonarismo raiz, mas tenta se posicionar como alternativa mais enérgica e combativa para o eleitorado conservador.
Com 69% dos votos para Bolsonaro no segundo turno de 2022, Santa Catarina é um dos estados em que a ligação direta com o ex-presidente pode definir o futuro político de qualquer postulante. Por isso, mesmo com as restrições judiciais, o apoio de Bolsonaro segue sendo uma moeda valiosa — e sua situação atual pode redefinir alianças e estratégias.
A possível fragmentação do bolsonarismo no estado favorece o surgimento de um clima de disputa antecipada. Enquanto isso, os reflexos econômicos do tarifaço de Trump ainda estão sendo calculados, mas prometem influenciar tanto o discurso da oposição quanto as pautas defendidas pelos candidatos conservadores em 2026.



