EMBATE
Clima esquenta na Câmara de Indaial com debate acalorado sobre CEI da Merenda
Projeto de Resolução 1/2026 levou embates intensos entre parlamentares e exposição de versões divergentes

O clima voltou a esquentar na Câmara de Vereadores de Indaial durante a sessão desta terça-feira (24), com a discussão do Projeto de Resolução nº 1/2026, que trata do relatório final da Comissão Especial de Inquérito (CEI) nº 1/2025, conhecida como “CEI da merenda”.
A proposta dá ciência ao plenário sobre o relatório final e estabelece uma série de encaminhamentos, incluindo o envio integral dos autos ao Ministério Público de Santa Catarina, ao Tribunal de Contas do Estado, ao controle interno do município e ao prefeito, além de prever acompanhamento das recomendações pelo Legislativo.
A discussão foi marcada por embates diretos entre vereadores, com acusações, contrapontos e versões divergentes sobre os fatos investigados.
O vereador Lucio Vanderlinde abriu o debate questionando o conteúdo do projeto e defendendo que a CEI identificou “vários indícios de irregularidade”. Segundo ele, há um parecer técnico que apontaria aumento de cerca de R$ 3 milhões no novo contrato de merenda, além de inconsistências documentais e problemas na rescisão contratual com a empresa anterior.
Lucio também afirmou que a empresa afastada teria ficado mais de 140 dias sem receber, o que, segundo ele, comprometeria a execução do contrato. O parlamentar ainda questionou divergências entre o relatório oficial da CEI e um relatório alternativo apresentado por ele, destacando diferenças no volume de páginas e na interpretação dos fatos. Ao final, pediu que a população acesse os documentos e forme sua própria opinião.
Na sequência, o vereador Flávio Molinari, que presidiu a comissão, elevou o tom ao defender o relatório oficial. Ele afirmou que a CEI foi utilizada politicamente por alguns parlamentares e citou publicações nas redes sociais com “hashtag projeto 2026”, sugerindo intenção eleitoral.
Molinari também declarou que denúncias feitas durante a CEI já foram encaminhadas ao Ministério Público e acabaram arquivadas, afirmando que o mesmo deve ocorrer com novas acusações. O vereador negou irregularidades no relatório aprovado e pediu apoio dos colegas para aprovação dos encaminhamentos previstos no projeto.
O relator da comissão, vereador Diogo Pinho, reforçou a defesa do relatório oficial e rebateu as acusações de irregularidades. Ele destacou problemas na execução do contrato pela empresa anterior, citando situações como alteração de cardápio, qualidade inadequada dos alimentos e transporte irregular de carne.
Diogo também negou que tenha havido sobrepreço no novo contrato e afirmou que as alegações apresentadas pela oposição não foram comprovadas. Para ele, a abertura da CEI teve motivação política e não encontrou elementos suficientes para responsabilizações mais graves.
Durante o debate, Molinari voltou a se manifestar, reforçando críticas à condução das denúncias e questionando reuniões realizadas com representantes da empresa anterior. Ele também voltou a citar possível uso político da comissão.
Em resposta, Lucio Vanderlinde reafirmou que seu papel é fiscalizar e buscar a verdade com base em documentos. Ele reiterou que tanto a empresa anterior quanto a atual teriam cometido falhas e mencionou casos como denúncias de problemas na alimentação escolar e supostas inconsistências em documentos administrativos. O vereador também criticou a atuação de fiscais e gestores de contrato.
O vereador Dudu também participou da discussão, destacando que a CEI teve como objetivo esclarecer os fatos e que houve problemas tanto na empresa anterior quanto na gestão do contrato. Ele defendeu o envio das informações ao Ministério Público para análise técnica e ressaltou que existem dois relatórios disponíveis para consulta pública.
Na fase final do debate, os ânimos permaneceram elevados. Molinari voltou a acusar adversários de utilizarem o tema com fins eleitorais, enquanto Lucio reforçou que a CEI foi motivada por denúncias e irregularidades apontadas ao longo das investigações.
Encerrando a discussão, Diogo Pinho reiterou que o caso deve seguir para o Ministério Público e afirmou que os encaminhamentos previstos no projeto permitirão a análise definitiva dos fatos pelos órgãos competentes.
O Projeto de Resolução nº 1/2026 prevê, além do envio aos órgãos de controle, a manutenção da transparência, com disponibilização pública das gravações da CEI, e o arquivamento administrativo do processo após os devidos encaminhamentos.



