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CEI da Merenda Escolar em Indaial gera embates sobre composição e legitimidade

Comissão já foi criada, mas vereadores divergem sobre quem deve integrá-la; críticas giram em torno da proporcionalidade, regimento interno e posicionamentos políticos

CEI da Merenda Escolar em Indaial gera embates sobre composição e legitimidade
Foto: Câmara de Vereadores de Indaial
Publicado em 24/06/2025 às 22:05

A Comissão Especial de Inquérito (CEI) para apurar possíveis irregularidades na alimentação escolar em Indaial já está oficialmente criada, mas os debates continuam intensos na Câmara de Vereadores. A polêmica agora gira em torno da composição da comissão e da legitimidade de participação de vereadores que não assinaram o requerimento de abertura, mas desejam integrar a CEI.

A proposta da CEI foi assinada por cinco parlamentares. No entanto, o número de vagas na comissão é limitado, e o regimento exige proporcionalidade partidária, o que abriu uma disputa política em torno dos nomes que irão compor o grupo.

Vereador Lucio denuncia alimentos estragados e pede seriedade

O vereador Lucio foi um dos autores do pedido de abertura da CEI e iniciou sua fala destacando falhas graves na merenda escolar. Ele exibiu imagens de alimentos estragados, como alface e pepino, em unidade escolar. Também apontou a baixa quantidade de frutas servidas, como “8 tangerinas para 180 alunos”.

Segundo Lucio, a CEI foi criada não para “caça às bruxas”, mas sim para corrigir falhas no serviço contratado pela Prefeitura:

“Essa comissão precisa de legitimidade. E isso só acontece se respeitarmos a proporcionalidade prevista no regimento. Não se trata de política, e sim de representar o povo que confia em nós para fiscalizar.”

Ele também questionou a postura de vereadores que não assinaram o pedido de abertura, mas agora querem integrar a comissão:

“Isso a população não entende. Não assinaram para investigar, mas querem fiscalizar agora?”

Elaine Pickler relata falta de frutas e problemas no cardápio

A vereadora Elaine Pickler reforçou os relatos de falhas no fornecimento da merenda, após visita à Escola Básica Municipal Leopoldo Simão. Ela relatou a ausência de frutas nos dois dias anteriores e a dificuldade em acessar o cardápio alimentar atualizado.

“Precisamos fiscalizar de forma técnica e responsável. A alimentação das crianças exige planejamento nutricional, não apenas quantidade. Conte comigo nessa comissão.”

Ela também criticou a postura de quem, inicialmente, foi contra a CEI, mas agora quer se juntar à investigação.


Embates políticos marcam a sessão

Flavio Molinari defende proporcionalidade e direito de escolha

O vereador Flavio Molinari subiu o tom ao defender que a composição da CEI deve respeitar a proporcionalidade partidária, como prevê o regimento interno. Ele também contestou as críticas a vereadores que não assinaram a abertura:

“Não sou obrigado a assinar nada que eu não veja necessidade. Isso não tira meu direito de participar da CEI. Vamos parar de inventar regras novas. Se é proporcionalidade, que seja respeitada. Não tem essa de ‘quem não assinou, não pode entrar’. Isso não está no regimento.”

Molinari ainda rebateu críticas sobre a suposta falta de valorização da música em Indaial e defendeu o Executivo:

“Quem assiste vê que a maioria das críticas vem sempre dos mesmos. Enquanto a oposição estiver nervosa, é sinal de que o governo está no caminho certo.”

Diogo Pinho ironiza críticas e se coloca à disposição

O vereador Diogo Pinho também não assinou a CEI, mas afirmou que, se tiver direito pela proporcionalidade, fará parte da comissão.

“A antiga empresa serviu pão seco com chá de hortelã. A Secretaria de Educação notificou e cobrou. O Executivo fez sua parte. Se agora a comissão foi criada, e querem brincar, estou dentro. Mas não entrei aqui para discutir alface estragada. Se é para investigar, que seja coisa séria.”

Valmir Jordani pede respeito ao regimento e equilíbrio

O vereador Valmir Jordani pediu serenidade na condução do processo. Segundo ele, a discussão sobre quem pode ou não compor a CEI precisa se basear no regimento interno, não em disputas políticas.

“A comunidade não quer barulho. Quer resultado. Vamos respeitar a proporcionalidade, como diz o artigo 61. A CEI precisa ser conduzida com responsabilidade. Não é sobre quem fala mais alto.”

Ele também elogiou a postura da presidência da Casa e do setor jurídico, que estão buscando uma solução equilibrada.


Conclusão

A CEI da Merenda já está instaurada, mas a Câmara de Indaial continua dividida sobre sua condução. De um lado, os parlamentares que assinaram o pedido cobram coerência e protagonismo na composição. Do outro, vereadores que não assinaram defendem o direito de participação baseado no regimento interno e na proporcionalidade.

Enquanto isso, a população espera respostas claras sobre a qualidade da alimentação nas escolas. O que está em jogo, além de princípios políticos e regimentais, é a garantia de uma merenda digna e segura para milhares de alunos da rede municipal.