ENTREVISTA
Camila Camargo e o poder de viver a cura: uma história de superação, fé e acolhimento que inspira mulheres em todo o Brasil
Diagnosticada com dois tipos de câncer, moradora de Indaial cria o projeto “Vivendo a Cura” para apoiar emocionalmente outras mulheres e prepara o lançamento de seu primeiro livro

Moradora de Indaial, Camila Camargo é daquelas pessoas que carregam na voz e no olhar a força de quem venceu batalhas intensas – não uma, mas duas. Diagnosticada com câncer de mama e, em seguida, com câncer na tireoide, ela escolheu transformar sua dor em missão. O resultado dessa decisão foi o nascimento do projeto Vivendo a Cura, um espaço de acolhimento e apoio emocional para mulheres em tratamento oncológico.
Com uma trajetória marcada por fé, coragem e empatia, Camila criou um grupo no WhatsApp onde compartilha diariamente mensagens de força e esperança. Ela também usa as redes sociais como plataforma para inspirar outras mulheres a se cuidarem e enfrentarem o câncer com dignidade e fé. Agora, prepara-se para lançar o livro que leva o nome do projeto, onde conta sua história com a alma aberta.
Nesta entrevista exclusiva ao MNDV, Camila compartilha detalhes dessa jornada emocionante.
Entrevista
MNDV: Camila, você poderia nos contar como foi o momento em que recebeu o diagnóstico de câncer de mama?
Camila: Receber o diagnóstico foi como levar um golpe no peito. O mundo parou, o ar faltou, e o medo tentou me dominar. Mas ali, no meio daquele turbilhão, eu tomei uma decisão com a alma tremendo: isso não seria uma sentença de morte. Perguntei a Deus “pra quê?”, e não “por quê?”. E foi nessa entrega que comecei a viver a cura por dentro.
MNDV: Durante o tratamento, você também enfrentou um câncer de tireoide. O que passou pela sua cabeça ao enfrentar esse segundo desafio?
Camila: Foi um baque. Já tinha passado por quimioterapia, cirurgias, dores… e então veio mais esse diagnóstico. Tive medo. Mas no meio das lágrimas, escolhi confiar. A cirurgia da tireoide foi feita, e hoje estou em remissão. Esse segundo câncer não me destruiu, ele me fortaleceu.
MNDV: Em que momento você percebeu que poderia transformar essa dor em propósito de vida?
Camila: Quando comecei a compartilhar pequenos relatos nas redes e outras mulheres começaram a se identificar. Ali eu entendi que minha dor podia ser resposta para outras. A partir disso, nasceu o propósito: viver a cura para inspirar outras mulheres a acreditarem que também podem viver.
MNDV: Como nasceu o projeto Vivendo a Cura e qual foi o primeiro passo para colocá-lo em prática?
Camila: O projeto nasceu do meu próprio enfrentamento. Comecei contando minha história nas redes e logo criei um grupo no WhatsApp para acolher outras mulheres. Esse grupo virou um refúgio emocional, onde trocamos experiências, fé e coragem.
MNDV: Como funciona o grupo no WhatsApp que você criou? Que tipo de mensagens costuma compartilhar com as mulheres?
Camila: É um espaço seguro e acolhedor. Envio diariamente reflexões, devocionais, frases de fé e experiências minhas com Deus. Às vezes é um texto profundo, outras vezes é só um desabafo… mas sempre com o objetivo de lembrar: você não está sozinha.
MNDV: Quais têm sido os feedbacks mais marcantes que você já recebeu?
Camila: Teve uma mulher que, na sala de quimio, me disse: “Quero ter essa força que você tem.” Outras começaram a fazer exames por incentivo das minhas postagens e descobriram o câncer no início. Algumas estavam em depressão e encontraram no grupo um novo sentido. Cada uma dessas histórias é um lembrete de que minha dor virou semente de esperança.
MNDV: Você compartilha sua experiência nas redes. Qual a importância de falar abertamente sobre o câncer e o autocuidado?
Camila: É romper o silêncio que adoece. Mostrar minha jornada encoraja outras mulheres a se cuidarem e se amarem. Se uma só mulher se tocar por causa de uma postagem minha, já valeu a pena.
MNDV: Como a fé te sustentou durante esse processo e como ela continua te fortalecendo hoje?
Camila: Foi no vale que conheci o Deus do colo e do amor. Ele não me castigou com a doença, Ele me curou através dela. Hoje sigo de mãos dadas com esse Deus, confiando Nele a cada passo.
MNDV: O que os leitores podem esperar do seu livro “Vivendo a Cura”?
Camila: Verdade, alma e fé. É um diário de guerra e milagre. Falo sobre dor, mas também sobre propósito. Compartilho minhas cicatrizes, mas também como elas foram costuradas por Deus. É um convite a viver a cura mesmo no meio da tempestade.
MNDV: Quais lições mais profundas você tirou desse processo?
Camila: Que nossas cicatrizes são marcas de fé, não de vergonha. Que precisamos cuidar de nós mesmas. E que o autocuidado é um ato de amor e sobrevivência.
MNDV: Você acredita que o acolhimento emocional pode influenciar na cura física?
Camila: Com certeza. Quando a alma é acolhida, o corpo responde. A fé e o amor curam onde o remédio não alcança. Um “estou com você” pode ser tão poderoso quanto uma medicação.
MNDV: O que diria para uma mulher que acabou de receber o diagnóstico de câncer?
Camila: Respira. Você não está sozinha. O câncer é cruel, mas você é mais forte do que imagina. A cura começa quando você acredita nela. Não entregue sua alma ao medo. Deus vai te sustentar onde você pensa que vai cair.
Camila Camargo não só venceu duas grandes batalhas, mas também transformou sua dor em missão. Seu projeto Vivendo a Cura é um testemunho poderoso de fé, coragem e empatia, que tem impactado e acolhido mulheres de todo o Brasil.
Seja nas redes sociais, no grupo de apoio ou em seu futuro livro, Camila continua semeando esperança onde antes havia medo. Sua história é um lembrete de que o milagre muitas vezes começa por dentro — e que, mesmo em meio à dor, é possível florescer.
Você pode acompanhar o projeto e conhecer mais da história de Camila no Instagram: @camillacamarrgo e @vivendoacura_camila_camargo 🌸



