POLÊMICA

Câmara de Porto Belo compra iPhones para vereadores e gasto de R$ 124 mil gera debate

Vídeo do vereador de Itapema Saulo Ramos comparando preços ampliou a repercussão do caso nas redes sociais

Câmara de Porto Belo compra iPhones para vereadores e gasto de R$ 124 mil gera debate
Publicado em 30/05/2026 às 18:32

A compra de 11 aparelhos iPhone 16 Pro pela Câmara de Vereadores de Porto Belo se tornou um dos assuntos mais comentados dos últimos dias em Santa Catarina. O Legislativo municipal desembolsou R$ 124.289 na aquisição dos smartphones, destinados ao atendimento das necessidades funcionais dos vereadores e da estrutura administrativa da Casa.

Conforme os documentos do processo, cada aparelho foi adquirido por R$ 11.299. Segundo a justificativa apresentada pela Câmara, os equipamentos serão utilizados para leitura, edição e assinatura digital de documentos, além do acesso a sistemas de gestão legislativa em nuvem e outras atividades relacionadas ao trabalho parlamentar.

Em ofício assinado pelo presidente da Câmara, Jonas Amadeu Raulino, o órgão afirma que a escolha do modelo foi baseada na sua longevidade tecnológica. A justificativa aponta que o investimento poderá ser utilizado por vários anos sem a necessidade de substituições frequentes devido à obsolescência dos equipamentos.

A aquisição foi realizada por meio de adesão à ata de registro de preços do CINCATARINA (Consórcio Interfederativo Santa Catarina), vinculada ao Pregão Eletrônico nº 56/2025.

Após a divulgação da compra, o assunto passou a gerar debates nas redes sociais, principalmente em razão dos valores pagos pelos aparelhos. O caso ganhou ainda mais visibilidade após a publicação de um vídeo pelo policial e vereador de Itapema, Saulo Ramos (União Brasil), que também é pré-candidato a deputado estadual.

Na gravação, Saulo Ramos analisa documentos da aquisição e realiza uma pesquisa rápida em lojas e plataformas de venda para comparar os preços praticados no mercado. Segundo o levantamento apresentado por ele, o mesmo modelo de aparelho era encontrado por cerca de R$ 9.200 no dia da consulta.

De acordo com a comparação feita pelo vereador, a diferença entre o valor pago pela Câmara e o preço médio encontrado no mercado ultrapassaria R$ 2 mil por aparelho, o que gerou ainda mais questionamentos e discussões entre moradores e internautas.

Em resposta às críticas, a Câmara de Porto Belo afirmou que não houve superfaturamento. O Legislativo destacou que a aquisição seguiu os critérios previstos no processo licitatório utilizado pelo consórcio e que as compras públicas obedecem regras específicas diferentes das praticadas no comércio varejista.

A Câmara também reforçou que a aquisição não se trata apenas de uma atualização de equipamentos, mas de uma necessidade operacional para atender demandas relacionadas ao processamento de dados, criptografia, segurança digital e estabilidade dos sistemas utilizados pela instituição.

Diante da repercussão, a Prefeitura de Porto Belo divulgou uma nota oficial esclarecendo que não participou da decisão de compra dos aparelhos. A administração municipal ressaltou que Prefeitura e Câmara de Vereadores são poderes independentes, cada um responsável por seus próprios processos administrativos, contratos e gestão de recursos.

O caso continua repercutindo em Santa Catarina e alimentando debates sobre transparência, critérios de contratação e utilização de recursos públicos pelos órgãos governamentais.