PROJETO UTILIDADE PÚBLICA
Câmara de Indaial rejeita projeto que declarava centro cultural de matriz africana como utilidade pública
Proposta de autoria do vereador Elton Possamai ainda passará por segunda votação

Foi rejeitado em primeira votação, na sessão ordinária realizada na noite desta terça-feira, 03 de fevereiro de 2026, o Projeto de Lei Ordinária nº 200/2025, que propõe declarar de utilidade pública municipal o Centro Cultural, Educacional e Assistencial Ile Axe Ijoba Ode Erin – Reino de Osoossi, com sede em Indaial. O placar da votação foi de 8 votos contrários e 4 favoráveis.
Votaram a favor do projeto os vereadores Elton Possamai, Elaine Pickler, Dudu Cunha e Carol Bertoldi. Já os votos contrários foram registrados pelos vereadores Jonatas Rosenbrock, Diogo Pinho, Valmir Jordani, Flávio Molinari, José Peixer, Fernanda Santos, Henrique Fritz e Lucio Vanderlinde.


Apesar do resultado negativo nesta etapa, o projeto ainda será apreciado em segunda votação, prevista para a próxima sessão ordinária da Câmara.
Durante a discussão em plenário, o vereador Jonatas Rosenbrock justificou seu voto contrário alegando que a proposta envolveria uma entidade de cunho religioso, o que, em sua avaliação, impediria o reconhecimento como utilidade pública municipal.
“Meu voto é contrário devido ao artigo 23, parágrafo 2º, que trata do conhecimento de relatórios de atividades de cunho religioso. Na minha visão, trata-se de uma entidade religiosa, e nenhuma outra religião ou templo possui utilidade pública municipal”, afirmou.
Autor do projeto, o vereador Elton Possamai rebateu a argumentação e defendeu que a entidade possui natureza cultural, educacional e assistencial, e não religiosa. Ele destacou que o centro desenvolve ações ligadas à preservação da cultura de matriz africana, educação, arte e formação humanística.
“O projeto não é religioso. Ele é cultural e educacional. Trata-se de uma associação que presta serviços culturais, reconhecida por órgãos de cultura. Negar esse reconhecimento pode caracterizar intolerância religiosa e racismo religioso”, declarou o parlamentar.
O Projeto de Lei nº 200/2025 prevê o reconhecimento da entidade com base na Lei Municipal nº 3.855/2009, assegurando as prerrogativas legais de utilidade pública. Segundo a justificativa apresentada, o centro atende diretamente cerca de 40 pessoas por encontro, além de impactar outras dezenas de forma indireta, por meio de ações educativas, culturais e de combate ao preconceito.
A proposta retorna à pauta na próxima sessão para segunda votação, quando os vereadores voltarão a se manifestar sobre o tema.





