MAIORIDADE PENAL

Câmara da Argentina aprova redução da maioridade penal para 14 anos

Medida apoiada por Milei abre possibilidade de prisões para adolescentes de 14 anos

Câmara da Argentina aprova redução da maioridade penal para 14 anos
Publicado em 15/02/2026 às 12:50

A Câmara dos Deputados da Argentina aprovou, na última quinta-feira (12), um projeto de lei que reduz a idade mínima de responsabilização penal no país de 16 para 14 anos. A proposta, parte de uma reforma mais ampla do sistema penal juvenil, avançou com 149 votos a favor e 100 contrários, sem abstenções, e agora será analisada pelo Senado da Argentina antes de seguir para sanção presidencial. 

A iniciativa, defendida pelo presidente Javier Milei e por aliados no Congresso, altera o regime em vigor desde 1980, permitindo que adolescentes de 14 e 15 anos possam responder criminalmente por delitos graves. Conforme o texto aprovado, eles poderão ser processados e, se condenados, receber penas que podem chegar a até 15 anos de prisão em casos como homicídio, abuso sexual e sequestro — embora o cumprimento em regime fechado esteja condicionado à gravidade dos crimes. 

A votação foi impulsionada por um caso de grande repercussão nacional: no final de 2025, um adolescente de 15 anos, identificado como Jeremías Monzón, foi morto a facadas por outros menores na província de Santa Fé. Esse episódio intensificou o debate sobre segurança e criminalidade juvenil, levando o tema às sessões extraordinárias do Congresso. 

A versão original do projeto enviado pelo Executivo propunha reduzir a maioridade penal para 13 anos, mas o texto foi ajustado durante as negociações com outras bancadas para facilitar sua aprovação na Câmara. 

A medida gerou divisões entre parlamentares e setores da sociedade. Enquanto apoiadores destacam que a redução da idade penal reflete a necessidade de responder à violência cometida por jovens, críticos afirmam que a proposta pode não abordar as causas profundas do problema e defendem políticas sociais e educacionais como alternativas. Organizações internacionais, como a UNICEF, e representantes religiosos expressaram preocupação com a eficácia da criminalização como ferramenta para reduzir a criminalidade, argumentando que medidas preventivas e de inclusão seriam mais efetivas. 

Se o Senado confirmar a mudança, a Argentina terá uma das legislações mais duras na região em relação à responsabilização penal de adolescentes, alinhando-se a práticas de alguns países vizinhos onde a maioridade penal é fixada em 14 anos ou menos.