MERCOSUL

Brasil assume presidência do Mercosul e Lula defende acordos com Europa e Ásia

Presidente destaca fortalecimento do comércio interno e novas parcerias internacionais durante Cúpula do bloco

Brasil assume presidência do Mercosul e Lula defende acordos com Europa e Ásia
Foto: Ricardo Stuckert, Divulgação
Publicado em 03/07/2025 às 17:21

O Brasil assumiu oficialmente, nesta quinta-feira (3), a presidência temporária do Mercosul, durante a 66ª Cúpula de Chefes de Estado do bloco, realizada em Buenos Aires, Argentina. O país comandará o grupo até dezembro, como previsto nas regras rotativas da organização.

Durante seu discurso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou que a principal prioridade será o fortalecimento do comércio entre os países membros e com parceiros externos. Lula defendeu a inclusão dos setores automotivo e açucareiro na união aduaneira, e destacou que acordos com a União Europeia e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) são estratégicos para a criação da maior zona de livre comércio do mundo.

Apesar de entraves com países europeus, como a França, que teme prejuízos aos seus produtores rurais, Lula afirmou que a atual política tarifária dos Estados Unidos pode impulsionar a União Europeia a firmar o acordo com o Mercosul. Com relação ao EFTA – formado por Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça – as negociações estão mais adiantadas e podem envolver uma zona de livre comércio com cerca de 300 milhões de pessoas e PIB superior a US$ 4,3 trilhões.

O Brasil também mira novos acordos com Canadá, Emirados Árabes Unidos, Panamá e República Dominicana. Lula afirmou que o Mercosul precisa agora “olhar para a Ásia”, citando países como China, Japão, Coreia, Índia, Vietnã e Indonésia como estratégicos para inserção nas cadeias globais de valor.

Outro ponto destacado foi o beneficiamento local de minerais estratégicos, com geração de emprego, renda e transferência de tecnologia entre os países do bloco. Lula ainda propôs a criação de centros de processamento de dados nos países do Mercosul, classificando essa iniciativa como essencial para garantir a “soberania digital” da região.

Antes de assumir a presidência do bloco, Lula rebateu críticas do presidente argentino Javier Milei, que afirmou que o Mercosul “prejudica a maioria dos cidadãos” ao favorecer determinados setores. Para Lula, o bloco protege os países sul-americanos das “guerras comerciais” e reforça sua credibilidade internacional com uma “robustez institucional” confiável.