ANISTIA
Bolsonaro – De condenado a candidato?
Nos bastidores de Brasília, uma articulação ganhou força e pode mudar 2026

A segunda semana do julgamento de Jair Bolsonaro (PL) no Supremo Tribunal Federal (STF) terminou com a condenação do ex-presidente a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. Outros quatro aliados do núcleo central da trama também receberam penas superiores a 20 anos.
No entanto, paralelamente à condenação, o tema da anistia ganhou força no Congresso Nacional. Liderado pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o movimento passou a ser visto como uma alternativa para tentar livrar Bolsonaro e outros envolvidos de punições, incluindo a inelegibilidade.
Uma minuta defendida pelo PL já circula em Brasília e propõe uma anistia ampla, que poderia beneficiar desde os réus dos atos de 8 de janeiro até políticos investigados por fake news e ataques às instituições. Em sua versão mais ousada, o texto poderia até devolver a Bolsonaro o direito de disputar as eleições presidenciais de 2026.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), já sinalizou resistência à proposta mais radical e trabalha em um texto paralelo que prevê redução de penas, mas não inclui a reabilitação política de Bolsonaro. Ainda assim, o debate cresceu após a entrada de Tarcísio nas negociações, visto por muitos como possível herdeiro político do bolsonarismo caso o ex-presidente permaneça inelegível.
Especialistas ouvidos avaliam que a pressão pela anistia só aumentou após a perspectiva de condenação pesada no STF e diante da falta de mobilização popular contrária. Mas mesmo que o Congresso aprove a medida, o STF pode declarar inconstitucional a proposta, considerando que os crimes em questão atingem o Estado Democrático de Direito.
Independentemente do desfecho, a articulação em torno da anistia já projeta efeitos políticos imediatos, reposicionando Tarcísio, reorganizando o campo bolsonarista e colocando 2026 no centro da mesa de negociações.



