BLUMENAU
Blumenau deve definir empresa de segurança que vai trocar vigias armados por porteiros nesta quinta-feira
Mudança ocorre após fim do contrato com empresa investigada pelo Gaeco

A Prefeitura de Blumenau deve conhecer nesta quinta-feira (18) a empresa responsável por assumir os serviços de portaria nas escolas e creches públicas municipais. A contratação será realizada por meio de dispensa de licitação em caráter emergencial.
A medida ocorre após o encerramento do contrato com a Orcali, empresa que prestava o serviço de vigilância armada nas unidades de ensino. Segundo a administração municipal, a renovação não foi realizada porque a empresa passou a ser alvo de investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) em um suposto esquema de propina envolvendo integrantes da gestão anterior, ficando impedida de firmar novos contratos.
De acordo com a prefeitura, dois dias após anunciar que não renovaria o contrato, foram enviados pedidos de orçamento para 28 empresas do setor. Os documentos recebidos estão em análise pela Secretaria de Administração e os detalhes do processo serão divulgados após a definição das vencedoras.
Além da vigilância armada, a Orcali também era responsável por contratos de limpeza e zeladoria nas escolas e creches municipais. Por isso, o município também busca uma nova empresa para assumir os serviços de higienização interna e externa das unidades de ensino.
Segundo informações da prefeitura, seis empresas apresentaram propostas para os serviços de portaria e outras seis enviaram orçamentos para limpeza.
A substituição dos vigilantes armados por porteiros sem armas provocou repercussão entre moradores e familiares de estudantes. O modelo de vigilância armada foi implantado após o ataque à Creche Cantinho Bom Pastor, em 2023, quando quatro crianças foram assassinadas por um invasor.
Nas redes sociais, Jennifer Pabst, mãe de Bernardo Pabst, uma das vítimas da tragédia, criticou a mudança. Ela questionou a retirada de uma medida de segurança que havia sido conquistada após o episódio que marcou a cidade.
A discussão também motivou uma manifestação realizada em frente à prefeitura no último fim de semana. Participantes pediram que o prefeito Egidio Ferrari reconsiderasse a decisão e mantivesse os agentes armados nas unidades escolares.
Durante participação na Câmara de Vereadores, o comandante da Polícia Militar de Blumenau, tenente-coronel Heinjte Heerdt, relatou ocorrências envolvendo vigilantes contratados, incluindo profissionais flagrados dormindo durante o expediente e situações relacionadas a armas e munições encontradas em unidades de ensino.
A contratação emergencial dos porteiros deverá ter duração mínima de seis meses. Após esse período, a prefeitura pretende implantar um novo modelo de segurança baseado em tecnologia. O projeto prevê a instalação de catracas, câmeras de monitoramento e sistemas de reconhecimento facial em escolas e creches da rede municipal, seguindo modelo semelhante ao utilizado nos últimos anos durante a Oktoberfest Blumenau.
Foto: Giovanni Silva, PMB/Patrick Rodrigues, NSC





