ALERTA

Aumento de casos de raiva animal acende alerta em Santa Catarina

Autoridades reforçam controle de morcegos hematófagos e vacinação dos rebanhos

Aumento de casos de raiva animal acende alerta em Santa Catarina
Foto: Divulgação
Publicado em 07/01/2026 às 12:04

O aumento dos casos de raiva animal em Santa Catarina acendeu um alerta para a necessidade de intensificar o controle dos morcegos hematófagos, principais transmissores da doença no meio rural. A raiva é uma enfermidade viral grave, sem cura, que causa prejuízos à produção agropecuária e representa risco direto à saúde pública.

De acordo com dados da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (CIDASC), até dezembro deste ano foram registrados 41 casos de raiva em animais de produção no estado. O número é inferior ao de 2023, quando 67 ocorrências foram contabilizadas. A redução, segundo o órgão, é resultado das ações de monitoramento, prevenção e orientação realizadas em parceria com os produtores rurais.

O trabalho de vigilância começa a partir das notificações feitas pelos próprios produtores. Segundo o gerente regional da CIDASC em Tubarão, Henrique Corrêa, as equipes realizam uma análise epidemiológica sempre que há comunicação de espoliações, que são feridas causadas pela sucção de sangue, geralmente observadas em bovinos e equinos.

Quando há viabilidade técnica, a atuação envolve a captura exclusivamente do morcego hematófago Desmodus rotundus, conhecido como morcego-vampiro. Outras espécies eventualmente capturadas são imediatamente soltas, respeitando o equilíbrio ambiental e o papel ecológico dos morcegos não hematófagos.

Nos casos em que a raiva é confirmada por exames laboratoriais, a CIDASC adota medidas imediatas para conter a disseminação do vírus. Entre elas estão a conscientização do produtor rural, a orientação para vacinação urgente do rebanho e a realização do chamado “perifoco”, que consiste em visitas técnicas às propriedades vizinhas ao local do caso confirmado.

Nessas áreas, os técnicos reforçam a necessidade de vacinação ou de reforço vacinal, considerada a principal forma de prevenção da doença. Segundo a CIDASC, o custo da vacina é baixo quando comparado aos prejuízos financeiros causados pela perda de animais infectados.

A identificação precoce dos sinais da doença também é fundamental. Feridas de sugadura, geralmente localizadas no pescoço e na região da cernelha, além de manchas de sangue escuro na pelagem, são indícios frequentes de ataque de morcegos hematófagos. Esses animais costumam retornar ao mesmo hospedeiro, utilizando feridas já existentes.

Diante de qualquer suspeita, a orientação é que o produtor notifique imediatamente a CIDASC para avaliação técnica e definição das medidas adequadas. O órgão reforça que o controle populacional dos morcegos hematófagos deve ser realizado apenas por equipes habilitadas, seguindo critérios sanitários e ambientais.

Suspeitas de raiva animal ou de ataques de morcegos podem ser comunicadas à CIDASC pelos telefones (47) 3481-3678 ou (48) 99169-7387.