ESPECIAL DIA DO PROFESSOR
As mãos que ensinam: a história da professora e intérprete de Libras Juacély Raquel
No especial do Dia do Professor, Juacély Raquel compartilha sua trajetória de superação e dedicação à educação inclusiva, unindo Libras, empatia e amor pelo ensino

No Especial do Dia do Professor, o Mais Notícias do Vale celebra histórias que inspiram e mostram a força de quem faz da educação um verdadeiro ato de amor.
Hoje, conheça Juacély Raquel, professora e intérprete de Libras que carrega em sua trajetória o compromisso com a inclusão, a empatia e o poder da comunicação. Com sua sensibilidade e dedicação, ela quebra barreiras e mostra que ensinar vai muito além das palavras — é também sobre gestos, olhares e conexão humana.
ENTREVISTA
MNDV: Juacély, você já passou por várias áreas dentro da educação — da pedagogia à educação especial. O que te motivou a seguir essa trajetória tão diversa e comprometida com a inclusão?
Juacély: Ser professor é acreditar em mudanças e transformação. Cada criança tem sua especificidade, e isso nos desafia a nos reinventar. Ver a evolução diária do aluno, mesmo que pequena, é o que nos motiva a seguir em frente.
MNDV: Hoje, você atua como professora e intérprete de Libras. Como foi o processo de aprendizado e adaptação para trabalhar com a língua de sinais?
Juacély: Iniciei com a Pedagogia e, ali, conheci a Libras. Decidi cursar Letras Libras — um enorme desafio, pois Libras é uma língua completa, com estrutura e cultura próprias. Aprender a sinalizar requer concentração e memorização. Quando me mudei para Santa Catarina, senti o impacto da variação linguística e precisei reaprender muitos sinais. É um aprendizado constante — todos os dias aprendo com alunos e professores surdos, tanto sobre a comunidade quanto sobre a língua.
MNDV: Qual foi o momento mais marcante da sua carreira desde que começou a trabalhar com Libras e a inclusão de alunos surdos?
Juacély: Um dos momentos mais marcantes foi quando assumi uma vaga de intérprete e descobri que o aluno era da Venezuela. Ele não sabia Libras nem português, apenas a Língua de Sinais da Venezuela. No início, pensei em desistir, mas aceitei o desafio. Aos poucos, ensinei Libras e também a alfabetização em português. No fim do ano, ele já se comunicava com outros alunos surdos — foi uma experiência transformadora.
MNDV: O que mais te encanta no contato direto com alunos que se comunicam por Libras?
Juacély: É lindo vê-los aprendendo a língua que é deles. Ver o brilho no olhar ao sinalizar e compreender o mundo é algo que faz todo o esforço valer a pena.
MNDV: Quais são os maiores desafios enfrentados por professores e intérpretes na busca por uma educação realmente inclusiva?
Juacély: O maior desafio é fazer as pessoas entenderem que surdo não é mudo — ele tem uma língua e pode se comunicar plenamente. Também enfrentamos a variação linguística da Libras, que muda conforme a região, exigindo aprendizado constante.
MNDV: Você acredita que as escolas e os professores estão mais preparados hoje para lidar com a diversidade linguística e sensorial em sala de aula?
Juacély: Infelizmente, ainda não. Faltam profissionais e, muitas vezes, as vagas ficam abertas por meses, deixando alunos sem atendimento. Acredito que todos deveriam aprender Libras — não para serem intérpretes, mas para promover a verdadeira inclusão.
MNDV: No seu olhar, qual é o papel do professor-intérprete na construção de uma sociedade mais acessível e empática?
Juacély: Nosso papel é ser a voz do surdo na sociedade, promovendo a visibilidade da escola bilíngue e o respeito linguístico. Ainda lutamos pelo protagonismo surdo, mas cada conquista é um passo rumo a uma sociedade mais acessível e empática.
MNDV: E para encerrar: qual mensagem você deixaria para os professores e alunos neste Dia do Professor, especialmente sobre o poder da comunicação e da inclusão?
Juacély: Comunicar é incluir, ensinar é transformar e aprender é crescer juntos.
A história de Juacély Raquel é um exemplo de como a educação pode romper barreiras e construir pontes entre mundos diferentes.
Com empatia, dedicação e amor pela Libras, ela prova que a verdadeira inclusão nasce do respeito e da vontade de aprender com o outro. Em suas mãos, a linguagem se transforma em liberdade — e cada gesto conta uma história de superação e esperança.



