NOVO PRESIDENTE
Após escândalo bilionário no INSS, Lula nomeia novo presidente para “virada ética” no órgão
Gilberto Waller Júnior assume comando do INSS em meio à maior crise de credibilidade da história do instituto, com CPI protocolada e fraudes que somam mais de R$ 6 bilhões.

Em resposta ao escândalo de fraudes envolvendo descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nomeou nesta quarta-feira (30) o procurador federal Gilberto Waller Júnior como novo presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A nomeação será oficializada no Diário Oficial da União ainda hoje.
A troca de comando ocorre em meio à maior crise enfrentada pelo INSS nos últimos anos. O escândalo, revelado na semana passada, expôs um esquema de cobrança de mensalidades por entidades associativas sem a autorização dos beneficiários, o que levou à saída do então presidente do órgão, Alessandro Stefanutto, no dia 23 de abril.
Novo comando e expectativa de mudança
Gilberto Waller Júnior tem um histórico ligado ao combate à corrupção e à integridade na administração pública. Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais, com especialização em Lavagem de Dinheiro, ele ingressou no serviço público como procurador do INSS em 1998. Ao longo da carreira, ocupou cargos estratégicos, incluindo o de corregedor-geral do próprio instituto, além de posições de destaque na Controladoria-Geral da União (CGU), como corregedor-geral e ouvidor-geral da União.
Até sua nomeação, exercia a função de corregedor da Procuradoria-Geral Federal, ligada à Advocacia-Geral da União (AGU). Sua chegada ao INSS é vista como tentativa do governo de retomar a confiança da população e sinalizar tolerância zero com práticas fraudulentas.
CPI e pressão política
No mesmo dia em que a nomeação foi anunciada, o deputado federal Coronel Chrisóstomo (PL-RO) protocolou um requerimento para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as irregularidades no INSS. A solicitação contou com 185 assinaturas, número superior ao mínimo exigido de 170 apoios.
Os apoiadores da CPI representam ampla variedade de partidos, com destaque para o PL (81 assinaturas), União Brasil (25) e Republicanos (18). Estima-se que as fraudes tenham causado prejuízos superiores a R$ 6 bilhões aos cofres públicos e aos beneficiários diretamente atingidos.
Desafio à frente
A missão de Waller Júnior à frente do INSS será dupla: reestruturar os mecanismos de controle interno e recuperar a imagem pública do instituto, manchada por denúncias de corrupção sistêmica. O novo presidente deve anunciar, nos próximos dias, uma força-tarefa interna para revisar contratos e procedimentos que permitiram os descontos indevidos.
O Palácio do Planalto espera que a nomeação de um perfil técnico e experiente ajude a desarmar o desgaste político causado pela crise, que tem potencial de impactar negativamente a base de apoio do governo no Congresso.
O novo comando do INSS simboliza, para muitos, uma encruzilhada decisiva entre a continuidade da velha máquina pública fragilizada e a promessa de reconstrução institucional em um dos órgãos mais importantes para milhões de brasileiros.
*As informações são da CNN e do g1



