RESGATE
Alpinista que tentou resgatar Juliana Marins no Monte Rinjani fala sobre a operação: “Me senti decepcionado por não salvá-la”
Abdul Agan arriscou a própria vida em missão voluntária na Indonésia e emocionou o Brasil com sua coragem e sensibilidade

Na noite deste domingo (29), o alpinista indonésio Abdul Agan emocionou o público ao relatar em entrevista ao Fantástico, da TV Globo, os detalhes da expedição voluntária que realizou para tentar resgatar a brasileira Juliana Marins, desaparecida no Monte Rinjani, na Indonésia.
Movido por um forte senso de solidariedade, Agan contou que decidiu iniciar a busca por conta própria, ao lado de mais três socorristas, após ver o vídeo do apelo nas redes sociais.
“Quando vi o vídeo na internet, senti a necessidade de ir para lá ajudar”, afirmou.
Com vasta experiência em resgates na montanha — são 21 turistas vivos e nove mortos localizados por ele ao longo dos últimos dez anos — Agan enfrentou uma das buscas mais difíceis da carreira. A operação envolveu riscos extremos: quedas de pedras, terreno instável e noites no penhasco, ao lado do corpo da brasileira.
“Eu me machuquei, um amigo meu foi internado no hospital. Muitas vezes caíam pedras perto da nossa cabeça”, relatou.
Juliana, infelizmente, foi encontrada sem vida. Os voluntários passaram a noite ao lado da vítima, garantindo que o corpo não escorregasse ainda mais pela encosta perigosa. Visivelmente emocionado, Agan lamentou não ter conseguido encontrá-la com vida:
“Me senti muito decepcionado porque eu esperava que Juliana ainda estivesse viva.”
Ação comovente gera comoção no Brasil
O esforço heroico do alpinista rapidamente ganhou repercussão no Brasil, com diversas pessoas tratando Agan como herói e agradecendo publicamente sua coragem. Uma vaquinha online chegou a ser criada para retribuir a ação voluntária com recursos financeiros, mas acabou sendo cancelada após críticas relacionadas à taxa cobrada pela plataforma.
Mesmo assim, a gratidão permanece.
“Eu só quero pedir desculpa para a família por não conseguir salvar Juliana. Obrigado aos meus amigos e brasileiros que acreditam em mim”, declarou o alpinista, com humildade.
Relembre o caso Juliana Marins
Juliana Marins, de 26 anos, caiu de um penhasco no Monte Rinjani, segundo vulcão mais alto da Indonésia, no último sábado (21). A jovem fazia uma trilha na região quando sofreu o acidente. A morte foi confirmada na terça-feira (24), após quatro dias de buscas.
Formada em Publicidade e Propaganda pela UFRJ, Juliana também era dançarina de pole dance. Desde fevereiro, estava em um mochilão pela Ásia, com passagens por Filipinas, Vietnã, Tailândia e, por fim, Indonésia.
A operação de resgate foi classificada como extremamente complexa, devido à densa neblina, à geografia acidentada e à altitude da região.



