ELEIÇÕES 2026

Aliados de Flávio veem saída de Michelle do PL Mulher como alívio para pré-campanha

Interlocutores do senador acreditam que afastamento reduz tensão e reorganiza estratégia eleitoral do partido

Aliados de Flávio veem saída de Michelle do PL Mulher como alívio para pré-campanha
Publicado em 02/07/2026 às 7:20

A decisão da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro de deixar a presidência do PL Mulher foi recebida de forma positiva por aliados do senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL). Nos bastidores, parlamentares e integrantes da pré-campanha avaliam que o afastamento temporário de Michelle dos holofotes pode contribuir para reduzir o desgaste provocado pela recente crise entre os dois.

Com a saída de Michelle, a vice-presidente do PL Mulher, Priscila Costa, assumiu interinamente o comando da ala feminina do partido. No entanto, ainda não há definição sobre quem ficará definitivamente na presidência do segmento, abrindo uma disputa interna entre lideranças da legenda.

Segundo integrantes do PL, além da influência política, a presidência do PL Mulher também desperta interesse pelo orçamento destinado ao núcleo feminino. Em março deste ano, foi divulgado que o partido reservou R$ 16,2 milhões para fortalecer a atuação das mulheres na estratégia eleitoral de 2026.

A crise entre Michelle e Flávio teve como um dos principais pontos de divergência a disputa por uma candidatura ao Senado no Ceará. Michelle defendia, conforme afirmou, um acordo firmado com Jair Bolsonaro para apoiar a deputada Priscila Costa. Entretanto, o deputado André Fernandes passou a defender a candidatura de seu pai, o deputado estadual Alcides Fernandes, para a mesma vaga.

Nos bastidores, aliados de Flávio acreditam que a saída de Michelle da presidência do PL Mulher permite que ela concentre sua atuação em uma possível candidatura ao Senado, hipótese mencionada pela própria ex-primeira-dama ao anunciar seu afastamento.

Antes da decisão, a equipe de Flávio esperava contar com a presença de Michelle em uma reunião com lideranças femininas do partido, em Brasília, como forma de demonstrar publicamente uma reaproximação após o episódio. No entanto, após um encontro entre Michelle e o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, a participação foi cancelada.

Em nota, Michelle afirmou que deixará a presidência do PL Mulher para dedicar mais tempo aos cuidados do ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar, e da filha do casal.

Mesmo sem Michelle, o encontro reuniu importantes lideranças femininas do partido, entre elas as deputadas federais Julia Zanatta (PL-SC) e Bia Kicis (PL-DF). Nos bastidores, a presença das parlamentares foi interpretada como um gesto de apoio à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro. Ambas também são apontadas como possíveis opções para compor a chapa presidencial como candidatas à vice-presidência.

Durante a reunião, Flávio Bolsonaro também repudiou declarações do blogueiro Paulo Figueiredo, que criticou o voto feminino e fez comentários sobre Michelle Bolsonaro.

“Quero repudiar veementemente a fala do Paulo Figueiredo sobre as mulheres. Foi completamente equivocado. Ele não faz parte da nossa campanha”, afirmou o senador.