HISTÓRIA

A trilha da herança: Como Indaial faz parte da incrível jornada de Beto Carrero

Ilha, enchentes e falta de apoio mudaram o rumo do maior parque temático da América Latina

A trilha da herança: Como Indaial faz parte da incrível jornada de Beto Carrero
Publicado em 19/02/2026 às 7:20

A história do Beto Carrero World poderia ter sido bem diferente. Antes de se consolidar em Penha, o sonho de João Batista Sérgio Murad — o lendário Beto Carrero — teve raízes profundas no Vale do Itajaí, especialmente em Indaial e Blumenau.

🌎 A ideia que nasceu após a Disney

A inspiração para criar um grande parque temático surgiu após uma viagem à Disney ao lado de Renato Aragão. Beto voltou ao Brasil convicto de que havia mercado para um empreendimento semelhante por aqui.

Santa Catarina já estava no radar do empresário. Ele mantinha relações comerciais com as tecelagens do Vale do Itajaí desde a época em que lançou o jornal Noticiário da Moda — seu primeiro grande negócio, posteriormente vendido à Editora Abril. Também mantinha escritório de propaganda em Blumenau para atender anunciantes do setor têxtil e cristaleiro.

🪵 Estruturas e ensaios no Vale

Durante cerca de dez anos, a carpintaria responsável pelos cenários dos circos de divulgação do personagem Beto Carrero funcionou na região de Blumenau. Ensaios e estruturas de apoio também teriam sido organizados no Vale após 1973.

Em Indaial, no bairro Carijós, Beto possuía uma casa próxima à chamada “Ilha dos Trapalhões”, situada no rio Itajaí-Açu. Segundo relatos, foi ali que ele iniciou as primeiras ideias práticas para o parque. A residência, erguida próxima a uma ilha particular, recebia artistas e amigos de São Paulo nos finais de semana e chegou a servir como locação para filmes dos Trapalhões.

No outro lado do rio — acessível apenas por barco — ainda existem marcas deixadas pelo empresário na ilha, lembranças de um sonho que quase se concretizou em solo indaialense.

🌊 As enchentes e a mudança de rumo

As enchentes de 1983 e 1984 destruíram estruturas na ilha e inviabilizaram o projeto naquele formato. Ainda assim, a vontade de Beto de se estabelecer em Santa Catarina permaneceu firme.

Segundo relatos, o então prefeito de Blumenau, Felix Theiss, afirmou que o parque só não foi instalado na cidade por falta de apoio. Beto teria cogitado construir o empreendimento na Itoupava Central, em terras da falida Cia. Jensen, solicitando a doação da área e a ampliação do aeroporto Quero-Quero. Em contrapartida, prometia gerar mais de mil empregos e impulsionar o turismo regional.

Diante da negativa, voltou-se para uma região que conhecera em 1973, após perder um voo em Navegantes: Penha.

🌊 A escolha por Penha

Na época, Penha tinha cerca de 8 mil habitantes e apenas dois hotéis. O potencial, porém, estava no espaço disponível para expansão, na proximidade com o aeroporto e na localização estratégica próxima a Balneário Camboriú, principal destino turístico do Estado.

Ali, o sonho finalmente se consolidou.

📸 Um sonho que marcou Indaial

Uma foto histórica mostra Beto Carrero ao lado de Luiz Polidoro, registrando um momento simbólico desse projeto que poderia ter transformado Indaial em um polo turístico temático.

Houve planos concretos para desenvolver um grande projeto na “Ilha dos Trapalhões”, no bairro Carijós. A proposta era criar um ponto turístico temático que impulsionaria a cidade. As enchentes, no entanto, impediram a realização.

Embora o parque tenha sido construído em Penha, o Vale do Itajaí foi fundamental para o planejamento, testes e amadurecimento do que viria a se tornar o maior parque temático da América Latina.

Hoje, essa história permanece viva na memória de quem acompanhou de perto e nos registros preservados por quem valoriza o passado.

Foto: Beto Carrero/Redes sociais/Reprodução