VINHO

A evolução da experiência do vinho ao longo da história

De ânforas e odres à rolha de cortiça e ao Coravin: como a humanidade transformou a maneira de armazenar, servir e apreciar o vinho nos últimos séculos

A evolução da experiência do vinho ao longo da história
Publicado em 26/07/2025 às 8:37

A relação entre o ser humano e o vinho atravessa milênios, e com ela evoluíram os meios de conservar, transportar e saborear essa bebida tão simbólica. A história da experiência do vinho é, também, a história da criatividade e da tecnologia aplicadas à arte de bem beber.

Na Antiguidade, civilizações como os egípcios, gregos e romanos utilizavam as ânforas, recipientes de cerâmica frágeis e porosos, para armazenar o vinho. Eram úteis, mas limitadas: pesadas, quebradiças e pouco eficazes na conservação. Além das ânforas, usavam-se odres de pele de cabra, mais flexíveis, mas igualmente ineficientes para armazenamento prolongado. Os tonéis de madeira surgiram como alternativa, mas também enfrentavam problemas de porosidade, permitindo a entrada de ar e a consequente oxidação do vinho.

A revolução veio com o vidro. A invenção do vidro soprado pelos romanos permitiu o surgimento de recipientes mais resistentes, embora rudimentares. Mas foi na Idade Média que as garrafas começaram a ganhar a forma moderna — evolução que se consolidou na Inglaterra, onde foram padronizadas e adotadas pela nobreza. No século XVII, o uso do vidro se tornou mais comum e permitiu o envelhecimento prolongado, o transporte seguro e a produção em larga escala, consolidando o padrão atual de garrafas.

Outro marco essencial veio também no século XVII: a rolha de cortiça. Por ser um material elástico, vedava perfeitamente a garrafa e permitia o armazenamento na posição horizontal, mantendo o vinho em contato com a rolha. Isso abriu caminho para o conceito de vinho de guarda, que melhora com o tempo. As rolhas passaram ainda a carregar identidade, com gravuras e formatos distintos conforme a origem do vinho — como a garrafa Bordalesa, típica de Bordeaux, e a Borgonhesa, da Borgonha.

Com a rolha, surgiu a necessidade de um novo aliado: o saca-rolhas. Acredita-se que o primeiro tenha surgido também no século XVII, inspirado no vrille à tonneau, uma broca usada para extrair projéteis de armas de fogo. Em 1795, o reverendo inglês Samuel Henshall patenteou o primeiro modelo de saca-rolhas de rosca em “T”.

Desde então, surgiram centenas de variações. No século XIX, mais de 300 patentes foram registradas apenas na Inglaterra. O modelo de alavanca de bolso, criado pelo alemão Carl Wienke em 1883, foi sucesso entre sommeliers e garçons. Hoje, temos saca-rolhas elétricos, a vácuo, de pinça e o modelo de sommelier, multifuncional e compacto.

O mais tecnológico deles é o Coravin, que permite extrair o vinho sem remover a rolha, usando uma agulha fina e gás argônio para preservar o restante da bebida.

Mais do que abrir garrafas, o saca-rolhas se tornou símbolo da sofisticação e do cuidado com a experiência do vinho. De uma necessidade funcional à uma expressão de arte e inovação, essa ferramenta mostra como a humanidade lapidou, ao longo dos séculos, a experiência que hoje cabe em uma taça.