PRISÃO

De homenageado a procurado: a virada no caso Cellshop

Justiça de Santa Catarina busca empresário apontado como peça-chave em investigação que bloqueou mais de R$ 227 milhões

De homenageado a procurado: a virada no caso Cellshop
Publicado em 22/09/2025 às 6:30

A Justiça de Santa Catarina expediu um mandado de prisão preventiva contra Jorbel Griebeler, fundador e dono da rede Cellshop, conhecida na região da tríplice fronteira. A ordem foi emitida pela Vara Estadual de Organizações Criminosas da Comarca da Capital no dia 11 de setembro, mas ainda não foi cumprida porque o empresário não foi localizado.

Griebeler é investigado na operação Mercado de Pandora, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) em apoio à 6ª Promotoria de Justiça da Comarca de Chapecó. A ofensiva, realizada na última terça-feira (16), cumpriu 15 mandados de prisão preventiva, 44 de busca e apreensão em residências, escritórios contábeis e empresas de fachada, além de 69 ordens de bloqueio de bens e valores, que somam R$ 227,6 milhões. Durante as diligências, uma pessoa foi presa em flagrante por porte de munições de calibre restrito, e um simulacro de arma de fogo foi apreendido.

Segundo as investigações, a organização criminosa especializada em fraude fiscal e sonegação tributária atuava no setor de comércio eletrônico, principalmente na venda de smartphones em marketplaces. O grupo utilizava empresas de fachada em nome de laranjas, conhecidas como “noteiras”, para emitir notas fiscais eletrônicas fictícias. Após movimentar grandes volumes de vendas, as empresas eram rapidamente encerradas, dificultando o rastreamento. O esquema teria causado prejuízo de pelo menos R$ 45 milhões apenas em tributos estaduais.

O nome da operação faz referência ao mito grego da Caixa de Pandora, em alusão a um mercado virtual aparentemente legítimo, mas que escondia um elaborado sistema de sonegação, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. Apesar da complexidade, os investigadores afirmam que rastros digitais e contábeis possibilitaram a identificação dos envolvidos.

Os mandados foram cumpridos em cidades de Santa Catarina, Paraná, Alagoas e São Paulo. O caso segue em sigilo, e os investigados podem responder por organização criminosa, sonegação fiscal, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. Até o momento, Jorbel Griebeler não se pronunciou sobre as acusações.