LUTO

Papa Francisco morre aos 88 anos no Vaticano

Primeiro pontífice latino-americano, Francisco faleceu nesta segunda-feira (21) após complicações de saúde; legado é marcado por humildade, reformas e mensagens de inclusão

Papa Francisco morre aos 88 anos no Vaticano
Publicado em 21/04/2025 às 6:45

O Vaticano amanheceu em luto nesta segunda-feira (21/4). O papa Francisco, líder da Igreja Católica desde 2013, morreu aos 88 anos, em sua residência oficial na Casa Santa Marta, no Vaticano, em Roma. A informação foi confirmada pelo cardeal Kevin Farrell. O pontífice vinha enfrentando problemas de saúde nos últimos meses e ficou internado por cerca de 40 dias devido a uma pneumonia dupla.

No sábado (19/4), Francisco apareceu em público na Basílica de São Pedro. Já no Domingo de Páscoa (20/4), realizou sua última bênção na Praça de São Pedro, onde, diante de milhares de fiéis, fez um apelo para que líderes políticos priorizassem o combate à fome e o apoio aos necessitados, com uma mensagem centrada na esperança e na solidariedade.

Trajetória histórica

Nascido Jorge Mario Bergoglio, em Buenos Aires, na Argentina, em 17 de dezembro de 1936, o papa Francisco foi o primeiro pontífice latino-americano e o primeiro jesuíta a assumir o comando da Igreja Católica. Ele foi eleito em 13 de março de 2013, após a renúncia de Bento XVI, e escolheu o nome Francisco em homenagem a São Francisco de Assis, símbolo de simplicidade e compromisso com os pobres.

Filho de imigrantes italianos, Bergoglio se formou em química antes de seguir a vocação religiosa aos 20 anos. Ingressou na Companhia de Jesus e foi ordenado sacerdote em 1969. Foi nomeado bispo auxiliar de Buenos Aires em 1992, arcebispo em 1998 e cardeal em 2001, por João Paulo II. Além da vida pastoral, teve forte atuação acadêmica, sendo reitor da Faculdade de São Miguel e doutor em teologia pela Universidade de Freiburg, na Alemanha.

Um papado de reformas e compaixão

Durante seus mais de dez anos como líder da Igreja, Francisco ficou conhecido por uma abordagem mais flexível e humana em relação a temas controversos. Ele promoveu reformas institucionais, enfrentou escândalos de abusos sexuais com firmeza e buscou aproximar a Igreja dos marginalizados. Foi também um dos primeiros papas a abordar questões sociais contemporâneas com clareza e empatia.

Em 2023, reuniu-se com vítimas de abusos cometidos por clérigos em Portugal e criticou abertamente a resposta da Santa Sé a tais escândalos. Já em 2025, o Vaticano, sob sua liderança, aprovou diretrizes que permitiram a entrada de homens gays em seminários, desde que comprometidos com o celibato, ressaltando que a orientação sexual não deveria ser critério de exclusão.

Saúde frágil e despedida serena

Desde jovem, Francisco enfrentava problemas respiratórios e chegou a ter parte de um dos pulmões removido. Nos últimos anos, precisou lidar com uma bronquite crônica, dores no joelho e episódios frequentes de internação. Em fevereiro de 2025, foi novamente hospitalizado e se afastou dos compromissos oficiais. Mesmo debilitado, manteve sua presença pública até os últimos dias de vida.

A morte de Francisco marca o fim de uma era de transformações na Igreja Católica. Seu legado será lembrado por gestos de humildade, como optar por morar na Casa Santa Marta em vez do tradicional Palácio Apostólico, e por seu constante apelo à justiça social.

O mundo católico agora se despede de um líder que tocou milhões com sua simplicidade, coragem e visão inclusiva de fé.

Foto: Vatican Media via Vatican Pool/Getty Images