STARTUP

De Timbó para o mundo: startup quer revolucionar a construção civil

Syncker aposta em gêmeo digital para acelerar obras, desbloquear crédito e já é reconhecida internacionalmente

De Timbó para o mundo: startup quer revolucionar a construção civil
Foto: Redes Sociais
Publicado em 08/09/2025 às 6:59

Na construção civil, confiança é um dos maiores desafios. Incorporadoras, construtoras, empreiteiros e bancos costumam coletar dados de forma manual e isolada, gerando informações desatualizadas e imprecisas — o que atrasa obras e o fluxo de pagamentos.

Foi para resolver esse problema que nasceu a Syncker, startup fundada em 2021 em Timbó (SC), pelos empreendedores Celso Berri e Luiz Fernando Duarte. A empresa desenvolveu uma tecnologia de Inteligência Artificial Física capaz de validar automaticamente o avanço das obras em tempo real, sem depender de internet no canteiro.

“Hoje, cada parte tem a própria visão e ninguém confia totalmente no trabalho do outro. Isso faz com que o dinheiro flua devagar e as obras avancem com dados desatualizados”, explica Berri, CEO da Syncker.

A solução utiliza modelos BIM (Building Information Modeling) e câmeras de smartphones para criar um gêmeo digital da obra. A IA compara o que foi planejado com o que já foi construído, registra tudo em blockchain e atualiza o sistema em tempo real.

Além de acelerar a medição técnica, o sistema pode se tornar o grande gatilho para liberação automática de crédito, destravando bilhões de reais no setor. Só em 2023, a construção civil movimentou R$ 484,2 bilhões, sendo até R$ 190 bilhões em potencial para antecipação de crédito.

A Syncker já está em fase de testes com grandes construtoras e incorporadoras, como FG Empreendimentos e Tecnisa, em obras que somam mais de R$ 3 bilhões em VGV.

“Estamos criando um novo padrão de validação técnica, que vai transformar o setor. O canteiro de obras pode e deve ser digital, confiável e conectado. E estamos preparando nossa plataforma para ser o alicerce disso tudo”, reforça Berri.


Reconhecimento internacional em Boston

Recentemente, os fundadores da Syncker viveram um momento marcante nos Estados Unidos. Durante a Brazil Conference at Harvard University & MIT, em Boston, Celso Berri e Luiz Fernando Duarte foram homenageados no Consulado-Geral do Brasil.

Eles receberam um certificado assinado pelo Embaixador Santiago Mourão, entregue por Júlio César de Jesus (Deputy Cônsul e líder do Setor de Ciência, Tecnologia e Inovação em Boston) e por Matheus Farias, PhD em Deep Learning por Harvard e presidente da edição 2025 da Brazil Conference.

O reconhecimento destacou a trajetória empreendedora e o impacto global da Syncker, que transforma tijolos em dados e dados em confiança.

“Nossa IA com raciocínio espacial valida o avanço físico da obra em tempo real, direto do canteiro, usando apenas um smartphone. Automatizamos a medição, comparamos o que foi executado, atualizamos o gêmeo digital e destravamos decisões operacionais e financeiras com dados confiáveis”, resume Berri.


Premiação nacional

A Syncker também foi eleita a Construtech mais promissora do Brasil pelo Secovi-SP, a maior entidade do mercado imobiliário da América Latina.

O prêmio reconhece startups que estão mudando a forma como obras são gerenciadas e financiadas. Segundo a organização, a Syncker representa “um novo padrão de confiança entre canteiro, incorporadoras e mercado financeiro para ampliar crédito em escala e segurança para toda a cadeia da construção”.

A tecnologia desenvolvida pela empresa combina:

  • Data Moat: cada metro quadrado do canteiro monitorado vira dado estruturado e auditável.
  • Fluxos integrados: captura, validação e liberação financeira em um processo escalável e transparente.
  • Efeitos de rede: quanto mais obras monitoradas, menor o risco, maior a fluidez do crédito e mais players envolvidos.

Um problema global, uma solução brasileira

Hoje, a Syncker roda pilotos com MPD Engenharia, Tecnisa, Matec Engenharia e FG Empreendimentos, somando R$ 2,8 bilhões em valor de projeto em quatro obras.

E a mensagem que voltou dos EUA é clara:
o mundo quer essa mudança no setor da construção.

“Se a obra avançou da forma certa, o dinheiro pode (e deve) fluir junto. O que trava isso hoje é a falta de confiança. É isso que estamos mudando”, reforça Berri.