CRUELDADE

“Ele tem medo de você”, disse mãe a padrasto dias antes da morte de criança em Florianópolis

Conversas recuperadas pela polícia mostram histórico de agressões; casal foi indiciado por homicídio qualificado

“Ele tem medo de você”, disse mãe a padrasto dias antes da morte de criança em Florianópolis
Foto: Polícia Civil, Divulgação
Publicado em 29/08/2025 às 13:15

O inquérito policial sobre a morte de um menino de quatro anos em Florianópolis revelou mensagens trocadas entre a mãe e o padrasto que evidenciam episódios de violência contra a criança. Em um diálogo de 5 de agosto, apenas 12 dias antes da morte, a mãe chegou a dizer ao companheiro: “Por isso que o menino tem medo de tu”.

Na conversa, o padrasto, de 23 anos, admite ter mordido o rosto do menino durante uma “brincadeira” que deixou marcas visíveis. A mãe repreende a atitude e afirma que não confiava em deixar o filho sozinho com ele.

📱 Histórico de violência
Segundo a polícia, as mensagens analisadas nos celulares do casal revelam um padrão de maus-tratos desde abril. O padrasto relatava machucados frequentes, justificando-os como acidentes, enquanto a criança demonstrava rejeição a ele. Em maio, o menino chegou a ser levado ao hospital com hematomas, ocasião em que o prontuário médico já registrava “quadro sugestivo de maus-tratos”.

Durante a internação, o padrasto se mostrou preocupado com a possibilidade de ser responsabilizado. Em mensagens, demonstrou medo de ser preso e questionou se seria visto como “psicopata”. Para a polícia, isso indica que ele estava consciente das agressões.

⚖️ Indiciamento por homicídio qualificado
O delegado Alex Bonfim Reis, da Delegacia de Homicídios, concluiu o inquérito indiciando a mãe (24) e o padrasto (23) por homicídio qualificado pelo emprego de meio cruel e contra menor de 14 anos.

O laudo necroscópico aponta que o menino morreu em 17 de agosto por choque hemorrágico decorrente de traumatismo abdominal, causado por instrumento contundente.

O caso foi encaminhado para a 36ª Promotoria da Capital. Nesta sexta-feira (29), o Ministério Público confirmou ter recebido o inquérito e solicitou diligências complementares à Polícia Civil.

🔎 Relembre o caso
O crime ocorreu no Sul da Ilha. O menino foi levado ao MultiHospital em parada cardiorrespiratória, já sem vida. Ele apresentava mordida na bochecha, hematomas no abdômen e marcas nas costas. O casal foi preso em flagrante, mas a mãe foi solta na audiência de custódia por estar grávida. O padrasto segue preso.

A defesa dos acusados não se manifestou até a publicação desta reportagem.