DEMISSÃO

Trump demite diretora do Fed e amplia tensão sobre independência do banco central dos EUA

Presidente alegou fraude hipotecária contra Lisa Cook, primeira mulher negra na diretoria do Federal Reserve, e abriu espaço para indicar aliados

Trump demite diretora do Fed e amplia tensão sobre independência do banco central dos EUA
Foto: Redes Sociais
Publicado em 26/08/2025 às 12:21

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira (25) a demissão de Lisa Cook, diretora do conselho de governadores do Federal Reserve (Fed), banco central norte-americano. A decisão, que passa a valer imediatamente, é vista como mais um episódio de tensão entre o republicano e a independência da instituição.

Cook, indicada em 2022 pelo então presidente Joe Biden, tinha mandato até 2038 e foi a primeira mulher negra a integrar a diretoria do Fed. Na semana passada, Trump já havia afirmado que exigiria a renúncia da diretora. Ela respondeu que não cederia a pressões.

Em carta divulgada pela Casa Branca, Trump alegou que Cook teria cometido fraude hipotecária, ao declarar como residência principal duas propriedades diferentes em um intervalo de duas semanas, para obter melhores condições de financiamento. O caso foi encaminhado ao Departamento de Justiça para investigação.

“À luz de sua conduta enganosa e potencialmente criminosa em um assunto financeiro, não é possível ter confiança em sua integridade”, afirmou Trump no documento.

Especialistas, porém, avaliam que a Casa Branca precisará comprovar judicialmente a existência de “justa causa” para sustentar a demissão.

Motivações políticas

Com a saída de Lisa Cook e a renúncia antecipada de Adriana Kugler, outra integrante do conselho, Trump ganha espaço para indicar nomes alinhados à sua agenda econômica. Se conquistar maioria entre os sete membros do conselho do Fed, ele também poderá influenciar a escolha dos chefes dos 12 bancos regionais, ampliando sua interferência sobre a política monetária.

A decisão acontece em meio a críticas recorrentes de Trump ao banco central. O republicano já chamou o presidente do Fed, Jerome Powell, de “burro” e “teimoso”, e defende cortes mais agressivos nas taxas de juros, hoje entre 4,25% e 4,50% ao ano. Segundo ele, os juros deveriam estar “pelo menos dois a três pontos abaixo”.