MONITORAMENTO

PGR pede reforço no monitoramento de Bolsonaro para evitar risco de fuga

Paulo Gonet recomendou à PF vigilância em tempo real do ex-presidente, que cumpre prisão domiciliar e usa tornozeleira eletrônica

PGR pede reforço no monitoramento de Bolsonaro para evitar risco de fuga
Foto: Valter Campanato, Agência Brasil
Publicado em 26/08/2025 às 12:13

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu nesta segunda-feira (25) que a Polícia Federal reforce o monitoramento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), réu na chamada trama golpista e atualmente em prisão domiciliar, sob uso de tornozeleira eletrônica.

O pedido foi feito após o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, informar ao Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a existência de um ofício apontando risco concreto de fuga de Bolsonaro. O documento foi encaminhado pelo líder do PT, Lindbergh Farias, que citou a possibilidade de o ex-presidente tentar evasão para a Embaixada dos Estados Unidos, localizada a cerca de dez minutos de sua residência em Brasília, onde poderia solicitar asilo político.

Segundo Gonet, o Ministério Público Federal entende que o STF deve recomendar “equipes de prontidão em tempo integral para efetuar o monitoramento em tempo real das medidas de cautela”. O procurador-geral ressaltou, no entanto, que esse reforço não deve ser intrusivo no ambiente domiciliar, nem causar “perturbação às relações de vizinhança”.

Após receber o ofício, o diretor-geral da PF informou que repassou os dados para a Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal. Em seguida, o ministro Alexandre de Moraes determinou que a PGR se manifeste em até cinco dias sobre a questão.

Além do risco de fuga, a Procuradoria deve se posicionar até a manhã de quarta-feira (26) a respeito de denúncias de descumprimento de restrições impostas pelo STF, como o uso de redes sociais. Entre os elementos que reforçam a cautela está a descoberta, no celular de Bolsonaro, de uma minuta que mencionaria pedido de asilo à Argentina.

A defesa do ex-presidente nega qualquer violação das medidas cautelares. Interlocutores de Paulo Gonet, contudo, avaliam que, até o julgamento previsto para começar em 2 de setembro, o cenário não deve sofrer grandes mudanças.