POLÍTICA

Governo Milei diz ‘ainda’ não ter recebido pedido de asilo de Bolsonaro

PF aponta tentativa de obstrução de Justiça e detalha investigações sobre plano de fuga para a Argentina

Governo Milei diz ‘ainda’ não ter recebido pedido de asilo de Bolsonaro
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Publicado em 21/08/2025 às 7:32

O governo da Argentina afirmou nesta quarta-feira (20) que “ainda” não recebeu oficialmente o pedido de asilo político atribuído ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O documento foi encontrado pela Polícia Federal em seu celular durante as investigações sobre a tentativa de golpe de Estado.

Segundo uma autoridade do governo Javier Milei, que falou sob anonimato, o material não chegou à Casa Rosada. A revelação surge no mesmo dia em que a PF indiciou Jair Bolsonaro e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por suspeita de obstrução de Justiça e intimidação de autoridades envolvidas na ação penal.

De acordo com os investigadores, no celular do ex-presidente foi localizado um rascunho de 33 páginas pedindo asilo em regime de urgência à Argentina. O arquivo, sem data e assinatura, teria sido criado por um usuário identificado como “Fernanda Bolsonaro”, possivelmente Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, esposa do senador Flávio Bolsonaro.

A PF aponta que desde fevereiro de 2024 Bolsonaro planejava atos para fugir do país e impedir a aplicação da lei penal. Além do documento, mensagens e áudios com Eduardo Bolsonaro e o pastor Silas Malafaia – recuperados mesmo após exclusão – indicariam tentativas de coagir ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e interferir no andamento das investigações.

Silas Malafaia foi alvo de busca e apreensão nesta quarta, com retenção de passaporte e apreensão de materiais. O pastor havia retornado ao Brasil vindo de Lisboa e foi levado para prestar depoimento.

O relatório entregue ao STF reforça que o ex-presidente tinha um plano estruturado para deixar o Brasil em direção à Argentina, em caso de avanço das investigações contra ele. Bolsonaro já cumpre prisão domiciliar por descumprimento de ordens judiciais, e o processo segue sob prorrogação determinada pelo ministro Alexandre de Moraes.