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PF revela mensagens que expõem articulações de Eduardo Bolsonaro e Silas Malafaia para tentar “salvar” Bolsonaro

A Polícia Federal indiciou nesta quarta-feira (20) o ex-presidente Jair Bolsonaro e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por tentativa de interferência em investigações relacionadas à trama golpista de 8 de janeiro. Também foi alvo da operação o pastor Silas Malafaia, que não foi indiciado, mas teve celular e passaporte apreendidos por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF)

PF revela mensagens que expõem articulações de Eduardo Bolsonaro e Silas Malafaia para tentar “salvar” Bolsonaro
Foto: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO
Publicado em 21/08/2025 às 7:10

De acordo com a PF, a análise de celulares apreendidos revelou um conjunto de mensagens apagadas e recuperadas que mostram não apenas descumprimento de medidas cautelares, mas também tentativas de articulação política, pedidos de apoio no exterior e estratégias para garantir a impunidade do ex-presidente.


Mensagens recuperadas: os principais pontos

As investigações apontam que Bolsonaro, Eduardo e Malafaia buscavam influenciar ministros do STF, parlamentares e até líderes internacionais. Entre os conteúdos revelados pela PF estão:

  • Pedido de asilo político na Argentina;
  • Discussões sobre uma “anistia light” focada apenas no ex-presidente;
  • Articulações de Eduardo nos EUA, incluindo pressão por apoio de Donald Trump;
  • Descumprimento de medidas cautelares, com uso de celulares e redes sociais;
  • Atuação direta de Silas Malafaia na mobilização digital;
  • Troca de ofensas entre Eduardo, Bolsonaro e Malafaia;
  • Contato proibido com o general Braga Netto;
  • Uso de listas de transmissão no WhatsApp para mobilização;
  • Suspeita de uso de contas bancárias das esposas para movimentação de valores;
  • Comunicação com representantes da plataforma Rumble e da Trump Media & Technology Group.

Pedido de asilo político na Argentina

Um dos documentos encontrados foi um rascunho de carta a ser enviada ao presidente argentino Javier Milei, na qual Bolsonaro alegava ser vítima de perseguição política no Brasil.

“De início, devo dizer que sou, em meu país de origem, perseguido por motivos e por delitos essencialmente políticos”, escreveu Bolsonaro no esboço da carta.


Anistia apenas para Bolsonaro

Mensagens de Eduardo Bolsonaro mostraram que a preocupação central era blindar o ex-presidente, e não os condenados pelos atos de 8 de janeiro. O deputado chegou a usar a expressão “anistia light”, em referência a uma medida que beneficiaria apenas Jair Bolsonaro.

Segundo ele, sem essa proteção, o apoio dos Estados Unidos seria perdido.


Articulação nos EUA e pressão por Trump

Eduardo relatou ao pai que era fundamental manter o apoio de Donald Trump. Ele sugeriu publicações de agradecimento ao republicano, inclusive após medidas econômicas desfavoráveis ao Brasil, como a imposição de tarifas.

Em mensagens, Eduardo alertava que sem Trump, Bolsonaro perderia “amparo internacional” e que sua prisão se tornaria mais provável.

A PF também identificou mensagens sobre a Lei Magnitsky, que nos EUA permite sanções contra autoridades estrangeiras. Eduardo dizia que a aplicação da lei contra o ministro Alexandre de Moraes estava “muito próxima”.


Descumprimento das medidas cautelares

Após ter o celular apreendido em julho, Bolsonaro passou a usar um novo aparelho, ativo em agosto, para continuar atuando nas redes sociais, o que era expressamente proibido por decisão do STF.

De acordo com os investigadores, Malafaia teria incentivado Bolsonaro a descumprir essas restrições, enviando vídeos e pedindo disparos em massa para mobilizar a base.


Silas Malafaia: liderança na articulação

As mensagens apontam que Malafaia agia de forma coordenada com Bolsonaro e Eduardo. Ele não só incentivava a divulgação de conteúdos, mas também articulava apoio parlamentar para manifestações pró-anistia.

Segundo Moraes:

“Há fortes evidências de que Silas Malafaia atua na construção de uma campanha criminosa orquestrada, destinada à criação, produção e divulgação de ataques a ministros do Supremo, no contexto de milícias digitais”.

Em resposta, Malafaia atacou o ministro:

“Vai ter que me prender para me calar”.


Troca de acusações e xingamentos

As mensagens revelam também desentendimentos internos. Eduardo xingou o próprio pai após uma entrevista em que Bolsonaro minimizou seu conflito com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.

“VTNC seu ingrato do caralho!”, escreveu Eduardo.

Malafaia, em outra ocasião, chamou Eduardo de “babaca”, “inexperiente” e “estúpido de marca maior”, mas poupou críticas públicas por consideração ao ex-presidente.


Contato proibido com Braga Netto

O general Walter Braga Netto, proibido de manter comunicação com Bolsonaro, enviou uma mensagem em fevereiro de 2024 oferecendo um número clandestino para contatos emergenciais. A descoberta reforça as tentativas de burlar determinações judiciais.


Mobilização via WhatsApp

A PF encontrou quatro listas de transmissão no celular de Bolsonaro: “Deputados”, “Senadores”, “Outros” e “Outros 2”. Por meio delas, o ex-presidente disparava mensagens em massa, inclusive durante manifestações.

Para os investigadores, esse esquema mostra como Bolsonaro usava terceiros para driblar a proibição de uso de redes sociais.


Uso de contas das esposas

Mensagens e movimentações financeiras sugerem que Eduardo Bolsonaro utilizava a conta da esposa, Heloísa Bolsonaro, para ocultar repasses do pai e evitar bloqueios judiciais.

Situação semelhante teria ocorrido entre Jair e Michelle Bolsonaro.


Contato com representante da Rumble e Trump Media

A PF identificou comunicação entre Bolsonaro e o advogado norte-americano Martin de Luca, representante da plataforma Rumble e da Trump Media & Technology Group, ligada a Donald Trump.

Segundo a PF, De Luca auxiliava na elaboração de textos e estratégias para reforçar a narrativa de perseguição política contra o ex-presidente.


Conclusão da PF

O relatório conclui que Bolsonaro e Eduardo atuaram em diversas frentes para tentar obstruir investigações e influenciar o processo no STF. Já Silas Malafaia, embora não tenha sido indiciado, foi apontado como peça central na estratégia digital que visava atacar ministros e pressionar por anistia.