FEMINICÍDIO

“Saí viva, mas morri por dentro”: Mulher atacada por ex em Indaial vê agressor ser condenado a 19 anos

Vítima ficou paraplégica após ataque brutal em fevereiro de 2024; durante o julgamento, Suelen fez um apelo emocionante a mulheres em situação de violência.

“Saí viva, mas morri por dentro”: Mulher atacada por ex em Indaial vê agressor ser condenado a 19 anos
Foto: MPSC/Divulgação
Publicado em 16/04/2025 às 13:09

Na última terça-feira (15), o Tribunal do Júri da Comarca de Indaial condenou um homem de 40 anos a 18 anos e 11 meses de prisão em regime fechado por tentativa de feminicídio. O crime, ocorrido em fevereiro de 2024, teve como vítima Suelen Aparecida de Melo, de 31 anos, que ficou paraplégica após ser atacada com golpes de faca pelo ex-companheiro.

O julgamento durou mais de 10 horas e contou com a presença de Suelen, que se emocionou ao relembrar os momentos de terror vividos. Ao final, ela fez um forte apelo às mulheres que vivem relacionamentos abusivos:
“Eu tinha medida protetiva contra ele, mas acabei tirando porque ele é o pai dos meus filhos. No fim, eu quem fiquei com as marcas. Se protejam. Não subestimem sinais de violência”, declarou.

O ataque ocorreu no bairro Warnow, quando o agressor, inconformado com o fim do relacionamento, viajou de São Paulo até Indaial e invadiu a casa de Suelen, onde a enforcou e golpeou com uma faca na frente dos filhos. O filho mais velho, de 15 anos, tentou impedir o crime. A mãe de Suelen também foi agredida ao tentar ajudar.

Suelen ficou em coma por 13 dias e, ao acordar, soube que jamais voltaria a andar, devido a uma lesão na medula espinhal. Desde então, vive com os cinco filhos na mesma casa, agora adaptada para sua nova realidade, e depende da pensão por invalidez e da ajuda da família.

Durante o julgamento, a promotora Patrícia Castellem Strebe comparou o caso ao de Maria da Penha, destacando a brutalidade do crime e a importância da condenação:
“Suelen teve sua vida transformada por completo. A justiça foi feita.”

A mãe da vítima, Rosângela, também celebrou a decisão judicial:
“A saúde plena da minha filha não volta, mas agradeço por ela estar viva e por esse homem pagar pelo que fez.”

Em seu último depoimento, Suelen deixou um alerta às mulheres:
“Não esperem o pior acontecer. Se você sente medo, isso já é um sinal. Procure ajuda, denuncie, saia enquanto é tempo.”

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