PROJETOS
“Lei Felca”: vídeo sobre adultização viral leva Câmara a acelerar sete projetos de criminalização
Conteúdo do youtuber Felca já soma mais de 27 milhões de visualizações e impulsiona propostas contra exploração infantil na internet

Um vídeo de 50 minutos publicado pelo humorista e youtuber Felipe Bressamin Pereira, conhecido como Felca, desencadeou uma mobilização inédita no Congresso. Com mais de 27 milhões de visualizações no YouTube, o conteúdo denuncia casos de adultização e exploração de menores nas redes sociais e resultou no protocolo de sete novos Projetos de Lei (PLs) nesta segunda-feira (11).
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que pretende acelerar a tramitação das propostas. A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT-RS), cobrou que as plataformas digitais deixem de ser “arma poderosa nas mãos de pedófilos, incitadores de mutilações e suicídios, golpistas e criminosos”.
Os projetos apresentados vão desde a definição legal de “adultização” e sua criminalização até medidas como bloqueio de algoritmos e contas que promovam conteúdos de sexualização infantil. Entre os autores estão Cleber Verde (MDB-MA), Marx Beltrão (PP-AL), Capitão Alden (PL-BA), Yandra Moura (União-SE), Dr. Zacharias Calil (União-GO), Duarte Jr. (PSB-MA) e Silvye Alves (União-GO).
Além dos PLs, deputados pediram audiências públicas sobre o tema e uma moção de aplauso a Felca “pelos relevantes serviços prestados à sociedade”.
Tema já estava em pauta
Antes da repercussão, outros 45 projetos já tramitavam na Câmara sobre proteção de crianças e adolescentes na internet. Desses, 18 propõem criminalizar práticas específicas ou aumentar penas, 15 impõem obrigações de remoção de conteúdo e filtros, e 17 estabelecem medidas para pais e responsáveis monitorarem o acesso online.
Entre eles está o PL 3434/2025, de Amom Mandel (Cidadania-AM), que cria mecanismos de verificação etária e controle parental, e o PL 3374/2025, de Rafael Brito (MDB-AL), que criminaliza conteúdos que incentivem autolesão. Há também propostas contra desafios perigosos e uso de inteligência artificial para fins de pedofilia.
Entenda as denúncias
No vídeo, Felca critica casos de exposição e sexualização infantil, incluindo conteúdos do influenciador Hytalo Santos e a suposta venda de material íntimo por menores, como no caso de Caroline Dreyer. A repercussão levou à suspensão de perfis e abertura de investigações.
O youtuber diz ter registrado boletins de ocorrência e ações contra mais de 200 contas por difamação, propondo que os réus façam doações a entidades de proteção infantil como acordo.
De acordo com pesquisa da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), “adultização infantil” é a aceleração forçada do desenvolvimento para induzir comportamentos inadequados à idade, muitas vezes intensificada pelo uso de redes sociais sem supervisão.



