NOVO PROTOCOLO
Morte em cela: Polícia Civil de SC anuncia novo protocolo após caso do dentista Cezar Ferreira
Mudança no atendimento busca evitar novas tragédias como a de Cezar, que morreu sob custódia sem comunicação à família e sem receber socorro médico

A Polícia Civil de Santa Catarina anunciou, nesta sexta-feira (1º), a adoção de novos protocolos de atendimento após a morte do dentista Cezar Maurício Ferreira, de 60 anos, encontrado morto em uma cela da Central de Plantão de Polícia de São José, na Grande Florianópolis, no dia 19 de julho.
Segundo o delegado-geral Ulisses Gabriel, a mudança visa evitar que casos semelhantes voltem a ocorrer. Um dos principais pontos do novo protocolo é o atendimento diferenciado para pessoas que não estejam em condições de responder adequadamente durante o processo de prisão. “Se existir suspeita de inconsistência no diálogo, será buscado atendimento médico imediato para avaliar se há confusão com sintomas de saúde, como no caso do Dr. Cezar”, explicou o delegado.
Além disso, será incluído um contato de emergência obrigatório no Sistema Integrado de Segurança Pública (SISP), para facilitar a comunicação com familiares em caso de detenções. A medida deverá ser implantada até o fim do ano, segundo o secretário de Segurança Pública, coronel Flávio Graff.
Investigação não apontou negligência
O inquérito conduzido pelo delegado Akira Sato concluiu que não houve negligência ou omissão dolosa por parte dos agentes. O laudo da Polícia Científica revelou que a causa da morte foi cardiopatia hipertrófica, possivelmente agravada por medicamentos presentes no organismo. O exame toxicológico descartou a presença de álcool, contrariando a suspeita inicial de embriaguez ao volante, que levou à prisão do dentista.
A perita-geral da Polícia Científica, Andressa Fronza, afirmou que os sintomas apresentados por Cezar eram compatíveis com o uso de certos medicamentos e não poderiam ser facilmente identificados como uma patologia grave por profissionais que não fossem médicos com acesso ao prontuário clínico.
Família contesta inquérito e cobra respostas
Em nota oficial, os familiares de Cezar afirmaram que não tiveram acesso ao relatório final da investigação e classificaram a prisão como ilegal. A defesa do dentista questiona a ausência de comunicação com os parentes, a alegação de “odor etílico” sem comprovação, e a falta de assistência médica adequada.
A família também cobra transparência e mudanças reais por parte das autoridades. “A única resposta à altura desta tragédia é a apresentação de um protocolo de abordagem policial focado em preservar a vida. Que a insana sequência de erros que levou o Dr. Cezar à morte nunca mais se repita”, afirma o comunicado.
Mesmo com a conclusão do inquérito, a Corregedoria da Polícia segue apurando possíveis desvios administrativos cometidos pelos agentes envolvidos no caso.



