JULGAMENTO
Moraes rebate ameaças, chama grupo bolsonarista de “organização miliciana” e prevê julgamento ainda neste semestre
Ministro do STF defende transparência do processo sobre tentativa de golpe e afirma que ritos da Corte ignorarão sanções internacionais

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), reagiu com firmeza nesta sexta-feira (1º) às recentes pressões internacionais e ameaças recebidas por magistrados brasileiros, incluindo ele próprio, no contexto das investigações sobre a tentativa de golpe que envolvem o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e aliados.
Durante a sessão de reabertura do segundo semestre do Judiciário, Moraes criticou a atuação de parlamentares e influenciadores bolsonaristas que têm buscado apoio internacional — especialmente nos Estados Unidos — para pressionar o Supremo e defender uma anistia ampla aos envolvidos. O ministro classificou as tentativas de boicote e coação como parte de um “modus operandi miliciano”, com o objetivo de desestabilizar o país e criar espaço para novos ataques à democracia.
Sem citar nomes diretamente, o ministro se referiu a ações do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e do influenciador Paulo Figueiredo, que estão nos Estados Unidos tentando incluir Moraes na Lei Magnitsky, que prevê sanções e bloqueio de bens em território norte-americano. Ele também citou ameaças feitas às esposas dos ministros Gilmar Mendes e Cristiano Zanin, ressaltando que “não existem limites para essa organização criminosa, que será responsabilizada”.
Moraes destacou ainda que o processo penal em curso contra os investigados por tentativa de golpe tem sido amplamente transparente, com transmissão pública e participação ativa de advogados e testemunhas de defesa. Segundo ele, nenhuma outra ação penal no mundo teve tamanha visibilidade.
“O rito processual do STF não se adiantará, não se atrasará. O rito irá ignorar as sanções praticadas”, afirmou o ministro, garantindo que todos os quatro núcleos investigados devem ser julgados ainda no segundo semestre deste ano.
Por fim, Moraes reiterou que o Judiciário brasileiro não se curvará a pressões externas nem permitirá que interesses particulares se sobreponham à Constituição.



