MOTOCIATA
Motociata religiosa em Indaial termina com mais de 200 multas e gera polêmica sobre atuação da PM
Fiscalização em homenagem a São Cristóvão provoca reações acaloradas nas redes e posicionamentos políticos divergentes; ação da PM é criticada por uns e elogiada por outros

O que era para ser uma manhã de fé e celebração em Indaial, no Vale do Itajaí, acabou virando um dos assuntos mais comentados de Santa Catarina neste fim de semana. Durante a tradicional carreata e motociata em homenagem ao Dia do Motorista e a São Cristóvão, padroeiro dos condutores, a Polícia Militar aplicou mais de 200 multas por infrações de trânsito. O rigor da fiscalização provocou reações divididas na cidade e repercutiu em todo o estado.
Entre as infrações registradas estavam o uso de escapamentos irregulares, a ausência de capacete por motociclistas e o buzinaço promovido por caminhoneiros — prática comum nesse tipo de evento. Segundo o 32º Batalhão da PM, todas as autuações seguiram a legislação e não há margem para exceção, mesmo se tratando de um evento religioso.
Nas redes sociais, moradores e participantes se manifestaram. Parte da população elogiou a atuação da PM, afirmando que a fiscalização trouxe ordem e respeito ao sossego público em pleno domingo de manhã. Por outro lado, muitas críticas surgiram, especialmente de participantes que consideraram a ação excessiva e desrespeitosa com a tradição da cidade.
A deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) foi uma das vozes mais enfáticas contra a abordagem. Em vídeo publicado em suas redes sociais, ela criticou a PM, alegando censura por parte da corporação ao apagar comentários negativos em sua página oficial. “O povo tem o direito de se manifestar. É uma página pública e vocês são pagos por esse povo”, disse a parlamentar.
A polêmica se intensificou após viralizar o depoimento de um caminhoneiro catarinense, conhecido por apoiar as forças de segurança, mas que se mostrou indignado com as multas aplicadas durante o buzinaço. Ele classificou a ação como “desnecessária” e questionou por que um evento pacífico e religioso foi alvo de tanta repressão.
Na contramão, a vereadora de Indaial Elaine Pickler defendeu firmemente os policiais envolvidos. Em publicação nas redes sociais, elogiou o trabalho da PM e criticou a sociedade por, segundo ela, “apoiar quem desrespeita regras”. “Continuem assim: coerentes e com posicionamento firme”, escreveu.
O episódio reacende o debate sobre os limites da atuação das forças de segurança em eventos populares com apelo religioso e cultural, especialmente em municípios do interior onde tradições como essas fazem parte da identidade local. A discussão promete seguir no cenário político e nas redes nos próximos dias.



