HUMILHAÇÃO

“Suprema humilhação”: Bolsonaro reage após colocar tornozeleira eletrônica por ordem do STF

Ex-presidente diz ser alvo de perseguição política e nega intenção de fuga, golpe de Estado ou articulações nos EUA; medidas incluem recolhimento noturno e bloqueio de redes sociais

“Suprema humilhação”: Bolsonaro reage após colocar tornozeleira eletrônica por ordem do STF
Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo
Publicado em 18/07/2025 às 12:58

Jair Bolsonaro (PL) afirmou nesta sexta-feira (18) que está sendo vítima da “suprema humilhação”, ao comentar a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que impôs o uso de tornozeleira eletrônica e outras medidas restritivas contra o ex-presidente.

A declaração foi dada logo após Bolsonaro comparecer à Secretaria de Administração Penitenciária, em Brasília, para instalar o equipamento. Ele também teve restrições de deslocamento, comunicação e acesso a redes sociais.

No meu entender, o objetivo é a suprema humilhação”, repetiu Bolsonaro, ao menos quatro vezes, a jornalistas. Segundo ele, as medidas fazem parte de um novo inquérito que investiga seu filho, Eduardo Bolsonaro (PL-SP), por ações políticas nos Estados Unidos.

Medidas determinadas pelo STF

A decisão de Moraes foi baseada em indícios de que Bolsonaro estaria tentando interferir nas investigações da Polícia Federal e até mesmo cogitando deixar o país. A Procuradoria-Geral da República (PGR) apontou risco concreto de fuga e obstrução da Justiça.

As medidas cautelares impostas incluem:

  • Uso de tornozeleira eletrônica;
  • Recolhimento domiciliar das 19h às 6h e aos finais de semana;
  • Proibição de contato com embaixadores e diplomatas estrangeiros;
  • Proibição de aproximação de embaixadas;
  • Proibição de comunicação com outros investigados;
  • Proibição de uso de redes sociais.

Negativas e críticas

Durante sua fala, Bolsonaro afirmou que nunca pensou em fugir do Brasil, mas admitiu que, se desejasse, “sair do país é a coisa mais fácil que tem”. Ele também minimizou sua ida à embaixada da Hungria, em 2024, quando ficou hospedado por dois dias após a apreensão de seu passaporte.

Nunca pensei em ir para embaixada, mas as cautelares são em função disso. Tenho horário para ficar na rua.

Sobre os US$ 14 mil encontrados pela PF em sua residência, Bolsonaro alegou que o dinheiro é fruto de transações legais e será declarado no Imposto de Renda: “Tem recibo do Banco do Brasil.

Questionado sobre um pen-drive encontrado durante a busca, o ex-presidente disse: “Não tenho a menor ideia.

Reação à investigação sobre o tarifaço

Bolsonaro também respondeu à acusação de que teria financiado, com R$ 2 milhões, ações nos EUA que influenciaram o “tarifaço” anunciado pelo ex-presidente Donald Trump contra o Brasil.

Ele negou qualquer articulação nesse sentido e criticou o governo Lula por não negociar com os americanos: “Se me derem o passaporte, converso com o presidente dos EUA. Lula não fala com Trump. Fica ao lado de ditadores.

Sobre Eduardo Bolsonaro, ele afirmou que o filho “não articulou pró-tarifaço”, apesar de seu bom relacionamento com parlamentares norte-americanos.

Golpe? “Golpe de festim”, diz Bolsonaro

Mais uma vez, Bolsonaro negou qualquer tentativa de golpe de Estado:
Não tem prova de nada. Golpe no domingo, sem Forças Armadas, sem armas? É golpe de festim.

Para o ex-presidente, o processo é puramente político, com base em “suposições”, e classificou tudo como perseguição judicial.

Operação da PF

A operação da Polícia Federal foi autorizada pelo STF e cumpriu mandados de busca e apreensão nas casas de Bolsonaro em Brasília e no Rio de Janeiro, além da sede do PL. Os agentes investigam os crimes de coação no curso do processo, obstrução à Justiça e ataque à soberania nacional.

A ação foi solicitada em 11 de julho, dias após o anúncio do tarifaço americano. A PGR deu parecer favorável à operação.

A Polícia Federal divulgou nota oficial confirmando o cumprimento de medidas cautelares diversas da prisão, no âmbito do processo PET nº 14129.