RESPOSTA
Celesc atribui morte de idosa a impasse com vizinho e risco técnico após 20 dias sem energia
Família de Amélia dos Passos cobra responsabilização, enquanto concessionária diz ter enfrentado negativa de vizinho e falta de segurança para religar serviço

A morte de Amélia dos Passos da Costa, de 86 anos, na zona rural de Antônio Carlos, na Grande Florianópolis, trouxe à tona um caso de corte prolongado de energia elétrica que mobiliza a Justiça catarinense. A idosa passou mais de 20 dias sem luz em casa, mesmo estando com as contas em dia e havendo decisão judicial determinando a religação imediata do serviço, o que não ocorreu a tempo.
A energia foi interrompida em 10 de junho de 2025, depois que um vizinho registrou boletim de ocorrência alegando que a fiação da residência de Amélia passava por seu terreno. Em nota, a Celesc afirmou que atendeu chamado de emergência por risco de choque elétrico e, ao verificar o local, desligou o ramal de carga — a fiação entre o medidor e a casa da idosa. A concessionária diz ter tentado religar o fornecimento em várias ocasiões, mas que o vizinho se recusava a permitir a reinstalação dos fios por sua propriedade.
Segundo familiares, Dona Amélia morava há mais de 60 anos no mesmo local e teve sua rotina completamente abalada pela falta de energia. Ela precisava de aquecimento em uma região fria, além de sofrer impactos emocionais pela ausência de atividades diárias, como assistir missas e novelas. Em 28 de junho, a Justiça determinou o restabelecimento imediato do serviço em até 24 horas, com multa por descumprimento, mas a religação não foi concluída. A idosa faleceu no dia 2 de julho.
Em nota de esclarecimento, a Celesc informou que, no dia 27 de junho, concluiu uma nova rede de distribuição contornando o terreno do vizinho, mas alegou que a infraestrutura da residência não oferecia condições seguras para ligação imediata. Já a Justiça entendeu que não havia recomendação técnica formal que justificasse o desligamento inicial e que a Defesa Civil atestou a possibilidade de restabelecimento seguro do serviço.
A filha da idosa segue morando na propriedade, ainda sem energia elétrica. A família ingressou na Justiça para que o processo continue em nome dos herdeiros, buscando responsabilizar civilmente a concessionária. A proposta de instalar uma nova rede pela estrada permanece como alternativa técnica, mas ainda não foi executada, segundo advogados. O caso segue sob análise na 2ª Vara Cível da Comarca de Biguaçu.



