ALERTA
Alerta nas escolas: “Desafio do apagão” preocupa especialistas e autoridades
Vídeos mostram estudantes praticando manobras perigosas que podem levar a desmaios, lesões graves e até à morte. Médicos e entidades alertam para os riscos e pedem ação de pais e escolas

Nos últimos dias, vídeos que circulam pelas redes sociais têm causado preocupação em famílias, educadores e autoridades. As imagens mostram crianças e adolescentes participando do chamado “Blackout Challenge”, ou “Desafio do Apagão”, em que um estudante induz outro ao desmaio por meio de pressão no tórax ou sufocamento. O conteúdo, que já circulou em outros países, está ganhando força no Brasil e acende um sinal de alerta para os riscos dessa prática perigosa.
O caso mais recente viralizou com vídeos gravados em uma escola particular da cidade de Araxá (MG), onde estudantes foram flagrados apertando o tórax de colegas até que perdessem os sentidos. As gravações, compartilhadas em massa, provocaram angústia nas famílias e levaram a escola a adotar medidas disciplinares no mesmo dia do ocorrido, segundo informou a Rede Salesianos, responsável pela unidade.
Em nota, a instituição lamentou a ampla divulgação das imagens e destacou que os alunos envolvidos e seus responsáveis foram acionados. O caso foi considerado pontual e, até o momento, não há registros semelhantes em escolas da rede estadual, conforme informou a Secretaria de Educação de Minas Gerais.
A Secretaria de Educação do Estado de São Paulo também afirmou que não registrou episódios envolvendo o “desafio” em suas escolas neste ano. A Secretaria de Segurança Pública de SP declarou que não há levantamento específico sobre o tema. A Polícia Civil de Minas Gerais informou que, até o momento, não foram localizadas ocorrências formais relacionadas ao caso.
Riscos reais: sufocamento e parada cardíaca
Especialistas em saúde, no entanto, alertam que o “Desafio do Apagão” não é apenas uma “brincadeira”. A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) analisou os vídeos e divulgou um comunicado enfatizando os riscos. Segundo a entidade, pressionar o tórax intencionalmente pode causar redução abrupta do fluxo sanguíneo ao cérebro, provocar desmaios, traumas, quedas e, em casos extremos, paradas cardíacas.
O professor e cardiologista Charles Simão Filho, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), classificou o ato como uma “brincadeira estúpida”, destacando que o perigo é ainda maior para crianças com doenças pré-existentes, como arritmias cardíacas. Já o cardiologista William Nazima, também da SBC, explicou que esse tipo de pressão pode provocar uma superestimulação do nervo vago, afetando a pressão arterial e a frequência cardíaca — o que, em determinados casos, pode ser fatal.
“A manipulação torácica pode desencadear arritmias graves, como fibrilação ventricular, que se não revertidas rapidamente podem levar à morte”, alerta Nazima.
Histórico e consequências
O desafio, que ganhou notoriedade em redes como TikTok e Instagram, já causou mortes em outros países. Em 2023, uma menina de 12 anos morreu na Argentina após tentar o desafio em casa. Nos Estados Unidos, casos semelhantes levaram famílias a processarem plataformas por permitirem a disseminação de vídeos que ensinam a prática.
Diante da repercussão global, o TikTok incluiu mensagens de prevenção e segurança para usuários que busquem termos relacionados ao “Blackout Challenge”.
O que dizem os especialistas?
A orientação de médicos e entidades é clara: essas práticas devem ser proibidas e combatidas dentro e fora do ambiente escolar. “Desmaios não podem ser tratados como forma de entretenimento. É essencial que pais, escolas e responsáveis estejam atentos e dialoguem com crianças e adolescentes sobre os perigos”, diz o comunicado da SBC.
A recomendação é para que pais conversem com seus filhos, monitorem o uso de redes sociais, e que as escolas implementem ações educativas e de conscientização, promovendo ambientes seguros e de respeito à vida.
Fica o alerta
Mesmo que pontual, a disseminação do “Desafio do Apagão” mostra como o ambiente virtual pode influenciar comportamentos perigosos no mundo real. A sociedade precisa estar vigilante e proativa, educando e orientando — e, quando necessário, tomando medidas firmes para proteger nossas crianças e adolescentes.



