ELEIÇÃO
Lula confirma candidatura em 2026 e defende STF como regulador das redes sociais
Em entrevista a Mano Brown, presidente critica Congresso, elogia seu governo e diz que só não será candidato se estiver “morto ou doente”

Durante uma entrevista de duas horas ao podcast Mano a Mano, do rapper Mano Brown, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou o que já era especulado nos bastidores da política nacional: será candidato à reeleição em 2026. Ao lado de declarações polêmicas e autocríticas veladas, Lula também reforçou a necessidade de regulamentar as redes sociais, defendeu o ministro da Fazenda Fernando Haddad e lançou farpas ao Congresso Nacional.
“Se eu estiver com saúde e vivo, serei candidato para ganhar”, declarou o presidente, em tom desafiador, ao ser questionado sobre seus planos para a próxima eleição presidencial. A fala marca oficialmente a entrada de Lula na disputa sucessória, em um cenário onde nomes da direita como Tarcísio de Freitas, Ratinho Jr. e Ronaldo Caiado já circulam como possíveis adversários.
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Críticas ao Congresso e ao “legado anterior”
Durante a entrevista, Lula acusou o Congresso de dificultar as ações do governo e citou o orçamento secreto como um dos entraves herdados da gestão anterior. Segundo o presidente, a falta de maioria na Câmara e no Senado impede seu governo de extinguir o mecanismo. A crítica, no entanto, contrastou com a realidade política da semana: o governo federal liberou mais de R$ 1 bilhão em emendas parlamentares em busca de apoio legislativo.
Ainda sobre o Legislativo, Lula foi direto ao afirmar que o Congresso seria mais vulnerável à pressão das big techs do que o Supremo Tribunal Federal. Por isso, defendeu que a regulamentação das redes sociais fique nas mãos do STF, sinalizando uma possível judicialização do tema — uma proposta que já enfrenta forte resistência entre parlamentares e parte da sociedade civil.
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“Precisa baixar o preço do ovo e do café”
Lula também comentou os resultados econômicos do seu governo, reconhecendo que os avanços ainda não chegaram à população. “O PIB da indústria cresceu, o emprego cresceu, mas isso não chega para o povo. Por isso trocamos a comunicação. Agora, precisamos baixar o preço do ovo, do café, para que os resultados do governo cheguem à mesa da população”, afirmou.
A fala reflete o desafio do governo em traduzir os dados positivos da economia em melhora concreta na vida da população, especialmente diante do aumento do custo de vida e da pressão inflacionária sobre itens básicos.
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Defesa de Haddad e aumento do IOF
Outro tema abordado foi a atuação do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, especialmente diante da tentativa de aumentar a alíquota do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). Lula saiu em defesa do aliado, mas evitou se aprofundar sobre o tema, que gerou ampla repercussão negativa. O silêncio sobre o assunto demonstrou cautela, diante da sensibilidade do tema entre setores da classe média e do empresariado.
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Autopromoção e sinal verde à reeleição
A entrevista, a segunda concedida por Lula ao podcast de Mano Brown, teve tom de campanha. O presidente exaltou conquistas, minimizou falhas, responsabilizou terceiros por obstáculos e encerrou com uma mensagem direta aos seus adversários políticos: “Podem falar em quem quiserem. Mas quem vier vai ter que fazer mais do que eu”.
A fala revela não apenas o desejo de Lula de permanecer no poder, mas também o tom que deve marcar o debate político nos próximos anos: um embate direto com a direita, uso da comunicação alternativa como os podcasts para atingir novas audiências e o reposicionamento do presidente como figura central no tabuleiro eleitoral.



