VACINAS
Mais de 1 milhão de vacinas são descartadas em SC nos últimos três anos
Vencimento, falhas logísticas e baixa adesão à vacinação estão entre os principais motivos; prejuízo estimado chega a R$ 9 milhões

Santa Catarina descartou mais de 1,1 milhão de doses de vacinas entre 2022 e 2024, segundo levantamento exclusivo da NSC TV com base em dados obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI) junto à Secretaria de Estado da Saúde e às prefeituras dos 10 maiores municípios do Estado.
A apuração, iniciada em fevereiro deste ano, revela um cenário preocupante: 1.199.902 doses de vacinas acabaram no lixo por motivos como vencimento, falhas no transporte e conservação, frascos abertos sem uso completo, além da baixa procura da população.
Cidades com maiores perdas
Entre os municípios que responderam integralmente à reportagem, os maiores descartes ocorreram em:
- Florianópolis: 128.154 doses
- São José: 79.075 doses
- Itajaí: 61.704 doses
- Jaraguá do Sul: 53.973 doses
- Criciúma: 41.554 doses
- Palhoça: 29.047 doses
- Chapecó: 15.060 doses
Blumenau e Joinville enviaram dados parciais (apenas sobre gripe e Covid). Mesmo assim, Joinville informou 94.205 descartes em 2024 e Blumenau, 38.236 entre 2022 e 2024. Lages não apresentou dados conclusivos.
Somados aos números da Secretaria de Estado da Saúde, que reportou o descarte de 658.884 doses, o total ultrapassa 1,1 milhão de imunizantes descartados, com perda financeira estimada em R$ 8,7 milhões em cinco municípios que informaram os valores.
Frascos multidoses: um desafio técnico
Vários municípios apontaram a logística dos frascos multidoses como uma das causas do desperdício. Esses frascos, usados para vacinas como a da Covid-19, contêm várias doses e precisam ser utilizados em poucas horas após abertos.
Se houver baixa procura em um determinado momento ou local, todo o frasco precisa ser descartado, mesmo com doses restantes. Casos como o de Joinville e Jaraguá do Sul ilustram esse problema, reforçado por falhas na cadeia de frio e manuseio inadequado.
A epidemiologista Alexandra Boing defende a ampliação do uso de frascos monodoses, especialmente em municípios menores e durante horários de menor movimento, como forma de reduzir perdas e ampliar o acesso.
“Se apenas uma pessoa comparece para se vacinar, é mais eficiente aplicar uma monodose do que abrir um frasco com dez doses e desperdiçar o restante”, destaca.
Falta de adesão e barreiras de acesso
Outro fator recorrente é a baixa adesão da população às campanhas de vacinação, em especial contra a gripe e a Covid-19. Muitas prefeituras relataram que parte das vacinas vencem nas unidades de saúde por falta de demanda.
A Diretoria de Vigilância Epidemiológica de SC (Dive/SC) afirmou que tem atuado em parceria com os municípios, oferecendo capacitação técnica e suporte de comunicação, e que já solicitou ao Ministério da Saúde o aumento da distribuição de frascos monodose.
Para a epidemiologista Alexandra Boing, é essencial oferecer horários estendidos, atendimento aos fins de semana e uma escuta mais ativa da população para entender as barreiras reais que impedem o acesso às vacinas.
“Precisamos flexibilizar o serviço e compreender a realidade das pessoas. Sem isso, as campanhas continuarão esbarrando na falta de adesão”, conclui.



