POLÍTICA
FIESC alerta que Santa Catarina será um dos estados mais afetados pelo novo tarifaço dos EUA
Federação estima que 54,5% das exportações catarinenses serão impactadas pela sobretaxa de 25% imposta pelos Estados Unidos

A Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC) manifestou preocupação com a nova sobretaxa de 25% anunciada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, medida que ficou conhecida como o “Segundo Tarifaço”. Segundo estudo da entidade, 54,5% da pauta exportadora catarinense será afetada pelas novas tarifas.
A medida, anunciada no dia 15 de julho, confirmou a recomendação inicial do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), ampliando as tarifas sobre uma série de produtos brasileiros destinados ao mercado norte-americano.
De acordo com a FIESC, a nova decisão deve provocar impactos significativos para a economia catarinense, principalmente em setores voltados à exportação.
O presidente da Federação, Gilberto Seleme, afirmou que o mercado norte-americano possui grande capacidade de influência nas negociações comerciais e defendeu uma atuação mais intensa do governo brasileiro nas tratativas diplomáticas.
“O tamanho do mercado americano dá aos Estados Unidos uma elevada capacidade de negociação com qualquer parceiro do mundo. Por isso, a FIESC esperava do governo federal mais empenho diplomático e técnico e menos discurso de soberania”, declarou.
A entidade também avalia que este não é o momento para adoção de medidas de reciprocidade tarifária, argumentando que esse tipo de reação pode ampliar ainda mais os prejuízos para o setor produtivo.
Segundo Seleme, a FIESC e a Confederação Nacional da Indústria (CNI) realizaram ações de diplomacia empresarial junto aos Estados Unidos para tentar reverter a recomendação do USTR, mas o esforço não teve o resultado esperado.
Impactos para Santa Catarina
A Federação lembra que o primeiro aumento de tarifas já havia provocado forte redução nas exportações catarinenses para os Estados Unidos. Conforme levantamento da entidade, naquele período houve uma queda de 38,2% nas vendas ao mercado americano, com impacto estimado na perda de aproximadamente 7,6 mil postos de trabalho.
Agora, com a nova rodada de tarifas, a situação tende a se agravar.
Segundo o estudo, além dos 54,5% das exportações catarinenses atingidas pela nova sobretaxa, outros 40,3% dos produtos vendidos aos Estados Unidos já estão sujeitos às tarifas previstas na Seção 232 da legislação norte-americana. Assim, apenas 5,2% das exportações de Santa Catarina para o mercado americano permaneceriam livres de sobretaxas.
Os maiores impactos devem ocorrer sobre produtos estratégicos fabricados nas regiões Serrana, Oeste e Planalto Norte, áreas que concentram importantes segmentos industriais do estado.
Para Gilberto Seleme, a medida também traz consequências para os consumidores norte-americanos.
“Esse é o argumento que precisa ser explorado com técnica e inteligência.”
Programa de apoio às empresas
Desde a primeira rodada do tarifaço, a FIESC afirma ter intensificado ações para auxiliar empresas na abertura de novos mercados internacionais. Segundo a entidade, mais de 500 indústrias já receberam atendimento com esse objetivo.
Agora, a Federação prepara a segunda fase do Programa Destarifaço, que prevê novas ações de apoio às empresas afetadas, além da continuidade das articulações junto ao Governo de Santa Catarina, ao Governo Federal, ao setor produtivo e à diplomacia empresarial para reduzir os impactos das medidas e preservar a competitividade da indústria catarinense.





