POLÍTICA

Vereadores de Indaial defendem apuração no Conselho de Ética sobre caso Dudu Cunha

Debate na sessão ordinária reuniu manifestações favoráveis à investigação interna e ao respeito ao devido processo legal

Vereadores de Indaial defendem apuração no Conselho de Ética sobre caso Dudu Cunha
Foto: Câmara de Vereadores de Indaial
Publicado em 15/07/2026 às 7:21

A sessão ordinária da Câmara de Vereadores de Indaial, realizada na noite de terça-feira (14), foi marcada por um amplo debate sobre a situação do vereador Carlos Eduardo Cunha (Dudu Cunha), investigado na Operação Pão e Circo, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) no último dia 7 de julho. Durante a operação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão, incluindo a apreensão do telefone celular do parlamentar e de documentos relacionados à investigação.

Ao longo da sessão, foram apresentadas duas representações solicitando o encaminhamento do caso ao Conselho de Ética da Câmara. Uma delas foi protocolada pelo vereador Diogo de Pinho, enquanto outra contou com o apoio dos vereadores Carol Bertoldi, José Carlos Peixer, Jonatas Rosenbrok e Valmir Jordani. Embora apresentadas separadamente, ambas têm como objetivo permitir que o Conselho de Ética analise os fatos relacionados ao caso e promova os esclarecimentos considerados necessários.

O vereador Diogo de Pinho afirmou que sua iniciativa não representa uma acusação antecipada, mas sim uma medida para preservar a credibilidade da Câmara Municipal. Segundo ele, cabe ao Conselho de Ética conduzir a apuração dos fatos, respeitando o devido processo legal.

Dudu Cunha afirma ser alvo de perseguição política

Durante a palavra livre, o vereador Dudu Cunha comentou, na tribuna da Câmara, a operação realizada pelo Gaeco. O parlamentar afirmou que teve acesso aos autos da investigação, destacou que o processo tramita em segredo de Justiça e disse confiar no trabalho de sua defesa.

Em seu pronunciamento, Dudu sustentou que há uma perseguição política contra sua atuação e afirmou que muitas informações divulgadas publicamente não correspondem ao conteúdo do processo. Também declarou que aceita o encaminhamento do caso ao Conselho de Ética, mas defendeu que o Legislativo concentre seus esforços nas pautas de interesse da população.

Vereadores defendem esclarecimentos e ampla defesa

A vereadora Carol Bertoldi afirmou que o combate à corrupção deve caminhar ao lado do respeito aos princípios da legalidade, da moralidade, do contraditório e da ampla defesa. Ela explicou que decidiu assinar a representação para que o Conselho de Ética possa promover os esclarecimentos necessários à população.

O vereador Valmir Jordani manifestou apoio ao encaminhamento, ressaltando que o Legislativo deve repudiar qualquer prática ilícita, mas também garantir ao vereador investigado o direito de apresentar sua versão dos fatos.

Na sequência, Diogo de Pinho voltou à tribuna para afirmar que seu pedido busca apenas esclarecimentos e que a representação não configura perseguição política, mas uma resposta institucional diante da repercussão do caso.

Já o vereador Flávio Molinari, presidente do Conselho de Ética, afirmou que considera inadequado atribuir a investigação a uma perseguição política. Segundo ele, a apuração conduzida pelo Gaeco teve início em 2022 e cabe ao Conselho de Ética trabalhar paralelamente às investigações do Ministério Público, garantindo o direito de defesa e prestando esclarecimentos à sociedade.

O vereador Jonatas Rosenbrok também declarou apoio ao encaminhamento da vereadora Carol, destacando que o Conselho de Ética é o órgão responsável por analisar a conduta dos parlamentares e assegurar que todas as partes sejam ouvidas antes de qualquer conclusão. Para ele, entre o julgamento precipitado e o silêncio, o caminho adequado é a apuração responsável.

Na mesma linha, o vereador José Carlos Peixer afirmou que a representação busca apenas permitir que o Conselho de Ética realize seu trabalho e ofereça ao vereador investigado a oportunidade de prestar os esclarecimentos necessários.

Presidente da Câmara defende cautela

Encerrando as manifestações sobre o tema, o presidente da Câmara, Valentim Blasius, questionou a divulgação de informações de um processo que tramita sob segredo de Justiça. Ele afirmou que o Parlamento não pode realizar julgamentos antecipados e reforçou que Dudu Cunha tem direito à ampla defesa. Segundo Blasius, caso haja comprovação de irregularidades pelas autoridades competentes, as consequências deverão ocorrer dentro dos trâmites legais, mas o Legislativo deve agir com responsabilidade enquanto as investigações seguem em andamento.