POLÍTICA

Presença feminina na política ainda é desafio em Santa Catarina

Especialistas defendem fortalecimento das cotas e maior compromisso dos partidos com a inclusão de mulheres

Presença feminina na política ainda é desafio em Santa Catarina
Foto: Divulgação
Publicado em 27/06/2026 às 13:30

Embora representem a maioria do eleitorado catarinense, as mulheres ainda ocupam uma parcela reduzida dos principais cargos eletivos em Santa Catarina. Um levantamento realizado pelo Núcleo de Dados do Grupo ND mostra que, entre 1986 e 2022, apenas 48 mulheres foram eleitas para os cargos de deputada estadual, deputada federal e senadora, enquanto 563 homens conquistaram mandatos no mesmo período.

Dos 611 eleitos analisados, apenas 7,8% eram mulheres, evidenciando a diferença entre a participação feminina nas urnas e sua representação nos espaços de decisão política.

Os dados mostram que a presença feminina avançou nas últimas décadas, mas de forma gradual. Em 1986, apenas uma mulher foi eleita para os cargos analisados. O melhor desempenho ocorreu em 2018, quando dez mulheres conquistaram mandatos, representando 16,7% dos eleitos. Em 2022, esse percentual recuou para 14%, com oito mulheres eleitas.

Enquanto isso, a participação feminina entre os eleitores continua crescendo. Em 1994, as mulheres representavam 48,9% do eleitorado catarinense. A igualdade entre homens e mulheres foi alcançada em 2002 e, desde então, elas passaram a ser maioria. Em 2026, já correspondem a 52,2% dos eleitores do estado, somando mais de 2,9 milhões de votantes.

Para a doutora em Sociologia Política Adriane Nopes, o avanço da representatividade feminina ainda enfrenta obstáculos estruturais. Segundo ela, mesmo após quase três décadas da Lei de Cotas, a inclusão das mulheres depende também do compromisso dos partidos políticos em promover candidaturas competitivas.

A historiadora Joana Pedro destaca que, embora a legislação determine que ao menos 30% das candidaturas sejam destinadas às mulheres, ainda existem dificuldades na efetiva aplicação da norma. Ela aponta que práticas como candidaturas fictícias comprometem o objetivo das cotas e ressalta que muitas das mulheres que ingressam na política possuem elevada qualificação profissional e podem contribuir significativamente para a elaboração de políticas públicas.

A sub-representação também aparece nos principais cargos políticos do Estado. Santa Catarina nunca elegeu uma mulher para o Governo do Estado. No Senado, a presença feminina também permanece reduzida desde a redemocratização.

Atualmente, o cenário mais favorável está na Câmara dos Deputados, onde cinco das 16 vagas catarinenses são ocupadas por mulheres, o equivalente a 31,25% da bancada. Já na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), apenas três das 40 cadeiras pertencem a parlamentares mulheres, representando 7,5% do total.

Para a coordenadora de Orientação e Gestão Processual do TRE-SC, Aline de Godoy, ampliar a diversidade fortalece a democracia e torna as instituições mais representativas da sociedade. Segundo ela, os partidos que descumprem as regras de cotas podem ser obrigados a prestar esclarecimentos e até ter o registro das candidaturas indeferido.

Apesar dos avanços registrados nas últimas décadas, o levantamento aponta que ainda existe uma distância significativa entre a força das mulheres no eleitorado catarinense e sua participação efetiva nos espaços de poder político.

Fonte: Grupo ND.