PESCA

Governo de SC aciona Justiça Federal para derrubar cotas da pesca artesanal da tainha

Ação busca anular restrições que atingem pescadores artesanais do litoral catarinense

Governo de SC aciona Justiça Federal para derrubar cotas da pesca artesanal da tainha
Foto: Thiago Kaue / Secom/GOV-SC
Publicado em 18/06/2026 às 6:55

O Governo de Santa Catarina ingressou na Justiça Federal com uma Ação Civil Pública (ACP) para tentar derrubar as cotas impostas à pesca artesanal da tainha no Estado. A medida foi protocolada pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE/SC) e busca suspender os dispositivos da Portaria Interministerial MPA/MMA nº 51/2026, que estabelece limites para a modalidade de arrasto de praia.

Segundo o governo catarinense, as restrições atingem exclusivamente os pescadores de Santa Catarina, sem a aplicação de medidas semelhantes para a mesma modalidade de pesca em outros estados das regiões Sul e Sudeste.

De acordo com a Secretaria Executiva da Aquicultura e Pesca de Santa Catarina (SAQ), a norma representa um mecanismo considerado discriminatório e que fere o pacto federativo.

O secretário de Aquicultura e Pesca de Santa Catarina, Fabiano Müller Silva, afirmou que a limitação tem causado prejuízos aos pescadores artesanais e à tradição pesqueira catarinense.

“Mais um ano tivemos a cota sendo aplicada somente para os nossos pescadores de arrasto de praia aqui em Santa Catarina, afetando de forma negativa essa modalidade que tem anos de tradição e que faz parte da cultura do nosso estado”, destacou.

A pesca da tainha possui forte relevância econômica e cultural para o litoral catarinense. Dados dos ministérios da Pesca e Aquicultura e do Meio Ambiente apontam que a atividade envolve cerca de 8 mil trabalhadores em Santa Catarina.

Em 2025, a pesca de arrasto de praia foi reconhecida oficialmente como patrimônio cultural imaterial catarinense pela Fundação Catarinense de Cultura (FCC).

O procurador-geral do Estado, Marcelo Mendes, argumenta que as cotas desconsideram as características específicas da modalidade praticada em Santa Catarina.

Segundo ele, a manutenção dos limites de captura impõe restrições desproporcionais a uma atividade tradicional e de baixo impacto ambiental, além de gerar prejuízos econômicos às comunidades pesqueiras.

As cotas para a pesca artesanal da tainha foram implementadas pela União em 2025. Naquele ano, o limite estabelecido foi de 1.100 toneladas.

Para a safra de 2026, a Portaria nº 51 elevou o limite para 1.332 toneladas. No entanto, a cota foi atingida em apenas 38 dias, provocando o encerramento da temporada em 7 de junho.

Após protestos e manifestações do setor pesqueiro, uma nova portaria publicada em 11 de junho ampliou o limite para 1.762 toneladas, permitindo a retomada da atividade.

Agora, o Governo de Santa Catarina busca na Justiça a suspensão definitiva das cotas aplicadas à modalidade de arrasto de praia no Estado.

Fonte: Secom SC