ELEIÇÕES 2026

Desafio de Chiodini é unir MDB no mesmo propósito

Parte do partido defende composição com João Rodrigues, enquanto outro grupo prefere permanência com Jorginho Mello

Desafio de Chiodini é unir MDB no mesmo propósito
Foto: Divulgação
Publicado em 21/05/2026 às 13:00

O presidente estadual do MDB em Santa Catarina, Carlos Chiodini, enfrenta um dos maiores desafios políticos do partido para as eleições de 2026: unificar a sigla em torno de um único projeto eleitoral.

As recentes agendas de Chiodini ao lado do pré-candidato ao Governo do Estado pelo PSD, João Rodrigues, e do senador Esperidião Amin (PP), que busca espaço para disputar a reeleição ao Senado, reforçam os sinais de aproximação entre MDB, PSD e PP em Santa Catarina.

Nos bastidores políticos, cresce a leitura de que Chiodini pode ser o nome do MDB para compor como vice na chapa de João Rodrigues. Em eventos e entrevistas pelo interior do estado, lideranças já tratam a possibilidade como um movimento natural dentro da construção política da oposição.

Após compromissos no Planalto Norte, a comitiva formada por João Rodrigues, Chiodini e Amin cumpre agenda nesta semana em municípios do Alto Vale do Itajaí, como Presidente Getúlio, Ituporanga, Rio do Sul e Taió.

Apesar do avanço da articulação, o MDB segue dividido internamente. Um grupo expressivo da sigla defende a manutenção da aliança com o governador Jorginho Mello (PL), mesmo sem garantia de espaço na chapa majoritária.

Entre os defensores da permanência na base governista estão os deputados Valdir Cobalchini, Fernando Krelling e Jerry Comper, além de prefeitos e vice-prefeitos ligados ao partido.

A tendência é que a definição ocorra apenas na convenção estadual do MDB, prevista para acontecer entre o fim de julho e o início de agosto.

Até lá, Chiodini terá dois desafios centrais: consolidar internamente seu espaço como possível candidato a vice de João Rodrigues e evitar que o MDB saia dividido do processo de decisão.

— Assim que o MDB decidir, na convenção, eu vou estar onde o MDB estiver — afirmou o deputado Valdir Cobalchini, um dos defensores da composição com Jorginho Mello.

O ex-governador Eduardo Pinho Moreira destacou que divergências internas fazem parte da história da sigla.

— O MDB foi criado na democracia e as disputas internas por teses diferentes são normais. Mas, depois de batido o martelo, todo mundo sai abraçado — declarou.

Carlos Chiodini também reforçou que a decisão será tomada coletivamente pelo partido.

— Por onde nós passamos, a base do MDB é unânime em defender o projeto com João Rodrigues e Esperidião Amin — afirmou.

Sobre a possibilidade de ser vice na chapa do PSD, o presidente estadual do MDB evitou tratar o cenário como definido.

— O MDB é quem vai decidir. Se tivermos outros nomes, o partido terá o direito de se manifestar na hora certa — pontuou.

Histórico de disputas internas

As disputas internas fazem parte da trajetória do MDB catarinense há décadas. Divergências sobre alianças e candidaturas majoritárias frequentemente chegam até as convenções estaduais da sigla.

O exemplo mais recente ocorreu em 2022, quando o então prefeito de Jaraguá do Sul, Antídio Lunelli, deixou o cargo para disputar o Governo do Estado, mas acabou derrotado internamente. Na ocasião, o MDB decidiu indicar Udo Döhler como vice na chapa do então governador Carlos Moisés.

O fator Esperidião Amin

Outro movimento que chama atenção nos bastidores é a aproximação histórica entre parte do MDB e o senador Esperidião Amin, adversário tradicional da sigla em diversas eleições estaduais.

Emedebistas avaliam que Amin pode receber apoio significativo dentro do partido para uma eventual disputa ao Senado em 2026, especialmente diante da resistência de parte do eleitorado catarinense à possibilidade de candidatura de Carlos Bolsonaro ao Senado por Santa Catarina.

Desde os anos 1980, Amin protagonizou disputas históricas contra o MDB em Santa Catarina, vencendo eleições importantes e também sendo derrotado em outros momentos por lideranças emedebistas.