SAÚDE

Governo decide não incluir vacina contra meningite B no SUS para bebês

Decisão considera alto custo e impacto no orçamento da saúde pública

Governo decide não incluir vacina contra meningite B no SUS para bebês
Foto: Banco de Imagem
Publicado em 05/05/2026 às 12:05

O Ministério da Saúde decidiu não incorporar ao Sistema Único de Saúde (SUS) a vacina contra meningite do tipo B para crianças menores de 1 ano. A decisão foi oficializada por meio de publicação no Diário Oficial da União e segue recomendação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS.

De acordo com o Ministério, o imunizante não atende a critérios considerados essenciais para inclusão na rede pública, como capacidade de oferta em larga escala e viabilidade de custo para o sistema. Atualmente, a vacina permanece disponível apenas na rede privada.

Apesar de proteger contra o sorogrupo mais frequente da doença meningocócica no país, o acesso ao imunizante seguirá restrito às famílias que podem arcar com os custos. Cada dose varia entre R$ 600 e R$ 750, e o esquema vacinal completo no primeiro ano de vida pode ultrapassar R$ 2 mil.

Hoje, o SUS já oferece proteção contra outros tipos da bactéria, como os sorogrupos C e ACWY, por meio do Programa Nacional de Imunizações, mas não contempla o tipo B.

A decisão envolve uma análise técnica ampla, que considera fatores como eficácia, segurança, impacto epidemiológico e custo-benefício. Segundo especialistas, o orçamento do sistema público exige a definição de prioridades, especialmente diante da necessidade de atender milhões de crianças em todo o país.

O infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, explica que, embora a meningite B seja relevante, a doença não apresenta incidência suficiente para justificar, neste momento, a vacinação universal frente ao alto custo do imunizante.

Dados apresentados pelo Ministério da Saúde indicam que a oferta atual da vacina atenderia apenas cerca de 15% da demanda nacional. Além disso, o custo estimado para implementação no SUS ultrapassaria R$ 5,5 bilhões em cinco anos — valor considerado elevado dentro do orçamento do sistema, que investe cerca de R$ 8 bilhões anuais em mais de 30 vacinas gratuitas.

Mesmo com a decisão, especialistas apontam a possibilidade de uso mais direcionado da vacina, especialmente em grupos de maior risco, como pessoas imunossuprimidas, ou em situações de surtos localizados.

A meningite meningocócica é uma doença rara, porém grave, que pode evoluir rapidamente e levar à morte ou deixar sequelas permanentes, principalmente em crianças pequenas. A vacinação segue sendo a principal forma de prevenção.

A própria Conitec prevê que a decisão poderá ser reavaliada futuramente, caso haja mudanças no cenário — como redução no preço da vacina, aumento da capacidade de produção ou novos dados científicos que justifiquem sua inclusão no SUS.