POLÍTICA

Na Alemanha, Lula defende imigração e rebate críticas ao acordo UE-Mercosul

Discurso abordou imigração, comércio internacional e conflitos globais

Na Alemanha, Lula defende imigração e rebate críticas ao acordo UE-Mercosul
Foto: Divulgação
Publicado em 20/04/2026 às 18:00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou neste domingo (19) na abertura da Hannover Messe, realizada na Alemanha. Em uma fala de pouco mais de 20 minutos, o chefe do Executivo brasileiro abordou temas centrais da agenda internacional, como imigração, comércio global e o cenário geopolítico.

Durante o discurso, Lula defendeu a importância da imigração, destacando o papel histórico de diferentes povos na formação do Brasil. Segundo ele, o país foi construído por diversas ondas migratórias ao longo dos séculos, o que reforça a necessidade de acolhimento em um momento em que várias nações têm endurecido suas políticas migratórias.

“O Brasil é um país criado por imigrantes”, afirmou o presidente ao citar portugueses, africanos escravizados, alemães, italianos, espanhóis, japoneses e árabes como parte fundamental da construção social, cultural e econômica do país.

A fala ocorre em meio a um contexto de maior rigidez nas regras de asilo na União Europeia, que discute novas medidas para controle da imigração, incluindo o envio de solicitantes a países terceiros enquanto aguardam análise.

Outro ponto de destaque foi o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. Lula elogiou a formalização do tratado, que deve entrar em vigor em maio, e criticou o que chamou de “narrativas falsas” sobre a sustentabilidade da produção agrícola brasileira — argumento frequentemente utilizado por países como França e Polônia para questionar o acordo.

O presidente afirmou que a criação de barreiras adicionais ao comércio é “contraproducente” e defendeu o papel do Brasil como fornecedor estratégico, inclusive na área de biocombustíveis.

No campo geopolítico, Lula voltou a criticar o funcionamento de organismos internacionais, como o Conselho de Segurança da ONU e a Organização Mundial do Comércio. Segundo ele, há uma “paralisia” nessas instituições, que precisariam passar por reformas que considerem os interesses do chamado Sul Global.

O presidente também abordou conflitos internacionais, mencionando a guerra no Irã e criticando a condução da política externa dos Estados Unidos sob liderança de Donald Trump. Lula afirmou que o mundo vive um momento crítico na geopolítica e alertou para o aumento dos gastos com conflitos armados, enquanto problemas como fome e analfabetismo ainda persistem.

Apesar do cenário global instável, o presidente destacou que o Brasil tem conseguido minimizar impactos econômicos, especialmente por sua posição como produtor de petróleo e pelas medidas adotadas para conter a alta dos combustíveis.

Ao final, Lula ressaltou que a participação do Brasil na Hannover Messe reforça a imagem do país como parceiro confiável em um ambiente internacional marcado por incertezas.