ELEIÇÕES 2026

Jorginho tenta ampliar base e busca MDB e União Progressista para 2026

Estratégia visa evitar segundo turno, marcado por histórico de viradas no estado

Jorginho tenta ampliar base e busca MDB e União Progressista para 2026
Foto: Divulgação
Publicado em 14/04/2026 às 17:50

O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), já estruturou sua chapa majoritária para as eleições de 2026, mas segue atuando nos bastidores para ampliar sua base política. O foco agora é atrair o MDB e a federação União Progressista para seu projeto de reeleição.

A estratégia foi confirmada pelo presidente estadual do PL, Bruno Mello, durante participação no Podcast Upiara.net. O objetivo do governador é consolidar uma aliança robusta que permita encerrar a disputa ainda no primeiro turno, evitando os riscos de uma segunda etapa.

O histórico eleitoral de Santa Catarina reforça essa cautela. Desde a adoção do sistema de dois turnos, o estado registrou cinco disputas em segundo turno, com três viradas — em 1994, 2002 e 2018 — evidenciando que liderar na primeira fase não garante vitória.

Enquanto isso, no campo adversário, o ex-prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), articula a formação de um bloco que pode reunir PSD, MDB e União Progressista. A possível composição resgata um potencial eleitoral relevante: em 2022, partidos hoje dispersos somaram cerca de 57,7% dos votos no primeiro turno.

Naquele cenário, Jorginho Mello, então alinhado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, obteve 38,6% dos votos. Seus adversários estavam divididos, com Carlos Moisés, Gean Loureiro e Esperidião Amin concorrendo separadamente. Já Décio Lima avançou ao segundo turno com 17,4%.

O cenário atual, no entanto, apresenta diferenças importantes. Jorginho agora ocupa o governo estadual, com maior visibilidade e estrutura administrativa, além de índices positivos de aprovação.

Apesar disso, a eventual união das forças adversárias não garante transferência automática de votos. O comportamento do eleitorado depende de fatores como contexto político, candidaturas e dinâmica da campanha.

Desafio de unir forças

A principal aposta de João Rodrigues é conquistar o eleitorado que ficou fora dos polos liderados por Jorginho e pela esquerda em 2022, estimado em cerca de 40%. O desafio, porém, está em transformar esse potencial em unidade política.

Na federação União Progressista, há divisão interna. O grupo ligado ao União Brasil, com lideranças como Fábio Schiochet e Gean Loureiro, demonstra maior proximidade com o projeto de oposição. Já no PP, prefeitos sinalizam apoio ao governador, contrariando movimentos de Esperidião Amin, que busca a reeleição ao Senado.

No MDB, o cenário também é fragmentado. O presidente estadual Carlos Chiodini trabalha por uma composição mais ampla, podendo inclusive integrar a chapa majoritária. Ao mesmo tempo, prefeitos e parlamentares se aproximam do governo estadual.

A definição dessas alianças deve ocorrer até as convenções partidárias, previstas para agosto.

Histórico de viradas

O histórico eleitoral catarinense reforça o peso estratégico do primeiro turno. Em 1994, Paulo Afonso Vieira reverteu desvantagem contra Angela Amin. Em 2002, Esperidião Amin perdeu a liderança inicial para Luiz Henrique da Silveira no segundo turno.

Mais recentemente, em 2018, Gelson Merisio liderou o primeiro turno, mas foi superado por Carlos Moisés na etapa final, em uma das maiores viradas da história política do estado.

Já em 2022, Jorginho Mello liderou desde o início e confirmou a vitória no segundo turno contra Décio Lima.

Com esse histórico, o cenário para 2026 segue aberto e marcado por articulações intensas, onde alianças e estratégias podem ser decisivas para o resultado final.