POLÍTICA
Estado avança na produção, mas custos e cenário externo acendem alerta
Integração e tecnologia impulsionam crescimento, mas riscos aumentam

Santa Catarina tem se destacado no cenário nacional com resultados expressivos no agronegócio, consolidando um modelo produtivo eficiente e integrado. Dados do IBGE apontam que o estado registrou crescimento de 5,9% na indústria de alimentos em 2025, desempenho quase quatro vezes superior à média nacional, de 1,5%.
Mesmo ocupando pouco mais de 1% do território brasileiro, o estado apresenta números robustos: foram 7,85 milhões de toneladas de grãos colhidas, 2 milhões de toneladas de carne exportadas e uma receita de US$ 4,5 bilhões com proteína animal.
Mais do que volume, o diferencial catarinense está no modelo produtivo, que integra produção, industrialização e exportação. Para o governador Jorginho Mello, o agronegócio desempenha papel central na economia e no abastecimento alimentar do país.
Integração e concentração
A força do setor também está na integração das cadeias produtivas, especialmente na proteína animal. Cerca de 70% da suinocultura catarinense está concentrada no Grande Oeste, envolvendo regiões como Meio-Oeste e Extremo-Oeste.
O modelo garante escala, organização e redução de riscos, mas também levanta um ponto de atenção: a concentração produtiva. Com menos produtores, a eficiência cresce, mas a base produtiva se torna mais restrita.
Apoio ao produtor
Para enfrentar desafios do mercado, políticas públicas têm sido utilizadas como suporte. O programa Pronamp Leite movimentou R$ 84 milhões em apenas um mês, com mais de 3 mil operações em 196 municípios.
Segundo o diretor do BRDE, Mauro Mariani, o foco é garantir crédito acessível para pequenos e médios produtores, fortalecendo a base do setor.
Pressão internacional
Apesar do desempenho positivo, fatores externos começam a impactar o agronegócio catarinense. A instabilidade no Oriente Médio tem elevado custos logísticos, especialmente no transporte marítimo.
Em alguns casos, o frete de contêineres refrigerados registrou aumento de até US$ 4 mil, afetando diretamente a competitividade das exportações. Além disso, oscilações no preço do milho — base da ração animal — podem pressionar toda a cadeia produtiva.
Desperdício e desafios estruturais
Outro desafio relevante é o desperdício de alimentos. Estimativas indicam que as perdas podem gerar prejuízo global de até US$ 540 bilhões em 2026. No Brasil, cerca de 32% da produção é desperdiçada, principalmente por falhas em logística, armazenamento e gestão.
O futuro do agro
O avanço tecnológico também aponta para uma nova fase do setor. Pesquisas indicam a possibilidade de desenvolvimento genético mais avançado, permitindo maior resistência das culturas, redução de insumos e adaptação mais rápida às mudanças climáticas.
Esse cenário transforma o agronegócio, que deixa de apenas selecionar características naturais e passa a atuar de forma mais estratégica na criação de soluções produtivas.
Mesmo com resultados expressivos, Santa Catarina enfrenta o desafio de sustentar o crescimento em um contexto global instável, com custos elevados e mercado cada vez mais exigente.
Fonte: Ketrin Raitz e Letícia Schlindwein – Portal Upiara



