CONDENAÇÃO
STF condena empresário de SC a 14 anos por atos de 8 de janeiro
Decisão aponta financiamento de transporte de manifestantes como participação nos crimes

O Supremo Tribunal Federal (STF) condenou o empresário catarinense Alcides Hahn a 14 anos de prisão em regime fechado por envolvimento nos atos de 8 de janeiro de 2023, em Brasília. A decisão foi anunciada no dia 2 de março de 2026.
De acordo com a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), Hahn teria contribuído financeiramente para o deslocamento de manifestantes ao transferir R$ 500 via Pix para o pagamento de um ônibus fretado que partiu de Blumenau com destino à capital federal.
O empresário foi condenado por cinco crimes: abolição violenta do Estado democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, deterioração de patrimônio tombado e associação criminosa. Segundo a acusação, o valor transferido ajudou a viabilizar a participação de manifestantes nos atos que resultaram na depredação das sedes dos Três Poderes.
Além de Hahn, outros dois envolvidos foram citados no processo: Rene Afonso Mahnke, que teria contribuído com R$ 1.000, e Vilamir Valmor Romanoski, com R$ 10 mil. Ambos também são apontados como financiadores, embora não tenham viajado a Brasília.
Durante o julgamento, Hahn afirmou que realizou a transferência a pedido de um conhecido, sem saber exatamente o destino da viagem. Ele declarou ter entendido que o valor seria utilizado apenas para o fretamento do veículo.
A defesa sustentou que não há provas de que o dinheiro tenha sido utilizado para financiar atos criminosos e argumentou que a denúncia se baseou exclusivamente no repasse de R$ 500, sem demonstrar vínculo direto com os envolvidos de 8 de janeiro.
As condenações relacionadas ao caso incluem, além das penas de prisão, aplicação de multas, pagamento de custos processuais e indenização por danos morais coletivos. O valor total estipulado para reparação foi fixado em R$ 30 milhões, a ser dividido entre os condenados.



