AFASTADO

Justiça do Rio de Janeiro afasta Ednaldo Rodrigues da Presidência da CBF por suspeita de fraude em assinatura

O desembargador Gabriel Zéfiro determinou o afastamento de Ednaldo Rodrigues da presidência da CBF após apuração de possível falsificação na assinatura do ex-presidente coronel Nunes.

Justiça do Rio de Janeiro afasta Ednaldo Rodrigues da Presidência da CBF por suspeita de fraude em assinatura
Foro: Divulgação CBF
Publicado em 15/05/2025 às 18:29

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) decidiu, nesta quinta-feira (15), afastar Ednaldo Rodrigues da presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). A decisão foi tomada pelo desembargador Gabriel de Oliveira Zéfiro, que atendeu a um pedido do Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar a autenticidade da assinatura do ex-presidente da entidade, Antônio Carlos Nunes de Lima, conhecido como coronel Nunes, em um acordo que havia estabilizado Rodrigues no cargo.

A decisão do TJ-RJ baseou-se em uma perícia que indicou que a assinatura de coronel Nunes poderia ser falsa. A perita Jacqueline Tirotti analisou o documento e concluiu que “não se pode identificar o punho periciado de Antônio Carlos Nunes de Lima”. Além disso, foi apresentado um laudo médico que atesta que Nunes sofre de déficit cognitivo, especialmente após uma intervenção cirúrgica considerada agressiva em 2023.

Em sua decisão, o desembargador Zéfiro questionou se coronel Nunes sabia o que estava assinando e se ele estava em condições de expressar sua vontade de forma consciente. Sem a possibilidade de uma inspeção judicial, já que Nunes não compareceu à audiência, o desembargador considerou as evidências disponíveis e concluiu que “há muito o Coronel Nunes não tem condições de expressar de forma consciente sua vontade”.

Com o afastamento de Ednaldo Rodrigues, o vice-presidente da CBF, Fernando José Sarney, foi nomeado interventor e deverá convocar uma eleição para os cargos diretivos da entidade “o mais rápido possível”. Até a posse do novo presidente, caberá a Sarney os poderes de administração.

A CBF ainda pode recorrer da decisão. Como a decisão foi monocrática, é possível protocolar um agravo interno para levar a questão ao conhecimento do órgão colegiado. Além disso, a entidade pode apresentar embargos, apelações ou recursos especiais e extraordinários, conforme o Código de Processo Civil.

Este é o segundo afastamento de Ednaldo Rodrigues da presidência da CBF. O primeiro ocorreu em dezembro de 2023, quando o TJ-RJ determinou a nulidade de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre a CBF e o Ministério Público do Rio de Janeiro. Na ocasião, o presidente do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), José Perdiz, foi nomeado interventor, mas a FIFA e a CONMEBOL não o reconheceram como representante da entidade.

A situação atual coloca em dúvida a continuidade de Carlo Ancelotti como técnico da seleção brasileira. O anúncio de sua contratação foi visto como uma vitória política de Ednaldo Rodrigues, mas com o afastamento do presidente, o futuro de Ancelotti à frente da seleção está incerto.

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