ELEIÇÕES 2026
Escolha do partido pode definir vitória ou derrota nas urnas
Estratégia partidária se torna tão importante quanto a votação

Com o encerramento da janela partidária se aproximando, um tema volta ao centro das discussões políticas: no Brasil, ter muitos votos não garante, necessariamente, uma vaga.
A lógica pode parecer confusa para quem acompanha a política apenas no período eleitoral, mas é uma realidade consolidada no sistema proporcional. O desempenho individual importa — mas o coletivo do partido é decisivo.
Um dos casos mais emblemáticos em Santa Catarina aconteceu em 2002. O então candidato Ismael dos Santos foi o mais votado para deputado estadual naquele ano, mas não se elegeu. O motivo foi simples na teoria, mas duro na prática: o partido ao qual ele pertencia não atingiu o quociente eleitoral necessário para garantir vaga.
Ou seja, mesmo com votação expressiva, ficou sem mandato. Um exemplo clássico de como a matemática eleitoral pode se sobrepor ao voto individual.
Situações semelhantes também marcaram a política regional. Em Indaial, nas eleições de 2012, o atual vice-prefeito Jonas Luiz de Lima teve 986 votos — um número significativo —, mas não conseguiu se eleger vereador.
Dentro do partido, foram eleitos Anderson Luz dos Santos, com 1.193 votos, e Altair Brassiani, com 1.098.
O cenário ganha ainda mais destaque quando se observa o resultado geral da eleição. Em outros partidos, candidatos com menos votos conquistaram vaga, como Osvaldo Metzner, com 886 votos, Aurora Antunes Coelho, com 931, e José Carlos Mnadel, com apenas 438 votos.
Casos como esses ajudam a explicar por que a escolha do partido se tornou uma das decisões mais estratégicas de uma candidatura.
Partidos maiores, com potencial de eleger mais representantes, também concentram nomes fortes, o que eleva o nível da disputa interna. Já siglas menores podem ter menos cadeiras, mas oferecem, em alguns cenários, um caminho mais viável para quem busca espaço.
Na prática, o candidato precisa fazer uma leitura precisa: avaliar o próprio potencial de votos, entender o tamanho da nominata e medir a força dos concorrentes dentro da mesma legenda.
A janela partidária, nesse contexto, deixa de ser apenas um período de trocas políticas e passa a ser um momento decisivo de cálculo eleitoral.
A experiência mostra que, muitas vezes, a eleição não é perdida nas urnas. Ela pode ser definida — ou comprometida — muito antes disso, na escolha do partido.



